Girão cita incidente no Panamá para defender anistia pelo 8 de Janeiro
Senador compara deportação de Franklin Martins à situação dos condenados pelos atos de 8/1 e pede anistia ampla
O senador Eduardo Girão (NOVO-CE), em pronunciamento na sessão desta terça-feira (10), comentou a detenção e deportação do jornalista Franklin Martins no Panamá, ocorrida no último dia 6 de março, durante uma conexão aérea. Segundo o parlamentar, o incidente se deu porque autoridades locais identificaram registros da participação de Martins em organizações de esquerda nos anos 1960.
— Franklin Martins foi líder estudantil na UFRJ. A partir de 1964, ele passou a integrar o MR-8, uma organização de esquerda que defendia a luta armada para o enfrentamento do regime militar. Viveu na clandestinidade e no exílio em Cuba, no Chile e também na França — explicou o senador, ressaltando que Martins retornou ao Brasil após a anistia de 1979.
Para Girão, o episódio reforça sua defesa de uma anistia às pessoas presas pelos ataques às sedes dos Três Poderes, ocorridos em 8 de janeiro de 2023. O senador comparou o alcance da Lei da Anistia de 1979 com a situação dos condenados pelos atos de 2023.
— A anistia ampla, geral e irrestrita de 1979 perdoou crimes como sequestros e assaltos à mão armada. O dia 8 de janeiro não foi crime. Essas pessoas não tiveram direito à ampla defesa, ao contraditório, à dupla jurisdição, e seus advogados muitas vezes não tiveram acesso aos autos — afirmou Girão, que discursou por videoconferência por estar em Santiago para a posse de José Antonio Kast na Presidência do Chile, marcada para esta quarta (11).