JUSTIÇA ELEITORAL

TSE suspende julgamento que pode cassar mandato de Cláudio Castro após pedido de vista

Dois ministros já votaram pela cassação do governador do Rio de Janeiro por abuso de poder nas eleições de 2022; julgamento será retomado em 24 de março.

Publicado em 11/03/2026 às 07:52
TSE suspende julgamento que pode cassar mandato de Cláudio Castro após pedido de vista Reprodução

O ministro Kássio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediu vista e suspendeu o julgamento que pode resultar na cassação do mandato do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). O caso será retomado em 24 de março. Até o momento, dois ministros já votaram pelas orientações do governador por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

De acordo com a acusação, a Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foram utilizadas para contratar cabos eleitorais com recursos do governo estadual durante a campanha.

Além de Castro, também são alvos do processo o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil-RJ), e o ex-vice-governador Thiago Pampolha (MDB), que deixaram a carga para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Caso sejam condenados, os envolvidos podem perder os mandatos e se tornarem inelegíveis até 2030.

Bacellar e Pampolha são acusados ​​de participação direta no suposto esquema de contratação irregular de compras de milhares de servidores temporários na Ceperj e na Uerj durante a campanha de 2022.

Segundo as investigações, Bacellar teria facilitado as contratações por meio de sua influência sobre o Executivo estadual, enquanto Pampolha, então vice-governador, renunciou ao cargo em 2025 para assumir a vaga no TCE-RJ antes do fim do julgamento.

O processo reúne dois recursos do Ministério Público Eleitoral (MPE) contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), que havia absolvido Castro e os demais acusados ​​por 4 votos a 3 em 2024.

Na sessão desta terça-feira, 10, apenas o ministro Antonio Carlos Ferreira votou, acompanhando a relatora, Isabel Gallotti, que já havia se manifestado em novembro do ano passado pela cassação de Castro.

Ferreira destacou a participação direta dos acusados ​​no esquema de contratação de "dezenas de milhares de servidores temporários sem amparo legal". Para o ministro, a conduta "é inegavelmente abusiva, com gravidade indubitável e intencional, nomeadamente ao se considerar o período em que as descentralizações ocorreram, tudo com vista a legitimar a perpetuação do poder".

“O aspecto quantitativo está presente no número de beneficiários diretos, cerca de 30 mil pessoas, e indiretamente incontáveis, bem como o montante multimilionário de recursos envolvidos no esquema, o qual ultrapassou e muito o teto de gastos de candidaturas estabelecido para as eleições de 2022”, destacou o ministro.