Zanin pede vista e suspende julgamento que pode tornar Silas Malafaia réu
Julgamento no STF sobre denúncia de injúria e calúnia contra o pastor é interrompido após pedido de vista do ministro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin pediu vista nesta terça-feira, 10, e suspendeu o julgamento que pode tornar o pastor Silas Malafaia réu pelos crimes de injúria e calúnia contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva.
A Primeira Turma do STF iniciou a análise do caso na última sexta-feira, 6, avaliando uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o pastor. Se a Corte aceitar o parecer, Malafaia passará à condição de réu no processo.
O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, já votou a favor do recebimento da denúncia. Segundo Moraes, as ações de Malafaia "assemelham-se, em acentuado grau, ao modus operandi da organização criminosa investigada no INQ 4.874/DF", inquérito que apura a atuação de "milícias digitais" contra instituições democráticas e a tentativa de desestabilização do Estado de Direito.
Em abril do ano passado, Malafaia realizou um ato em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pedindo anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro. No evento ocorrido na Avenida Paulista, o pastor fez críticas públicas aos generais do Exército.
"Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição", declarou ao microfone.
A PGR afirma que Silas Malafaia acusou oficiais do Exército de crime militar sem apresentar provas e, em seguida, divulgou as declarações nas redes sociais, ampliando o alcance das críticas.
A denúncia foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, em 18 de dezembro. O julgamento ocorre no plenário virtual do STF e pode se estender até 13 de março. O caso foi pautado pelo ministro Flávio Dino, atendendo à solicitação do relator Alexandre de Moraes.
Nos últimos anos, Malafaia especifica manifestações em apoio a Jair Bolsonaro, criticou decisões do Supremo e defendeu a anistia para investigados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro.