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CPI do Crime mira braço do PCC na Faria Lima e “A Turma” do Master

Política, CPI do Crime, PCC, Banco Master, A Turma, ex-servidores do BC

Publicado em 11/03/2026 às 11:58

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Crime Organizado no Senado aprovou, nesta quarta-feira (11), mais de 20 requisitos com quebras de sigilo, pedidos de informações e convocações mirando o braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Faria Lima e “A Turma” de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

“A Turma” é o nome do grupo de comunicação de Vorcaro usado para monitorar e intimidar adversários do banqueiro, e que esteve no centro da decisão de prisão do dono do Mestre.

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A comissão ainda cortes os sigilos fiscais, bancários e telefônicos de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, aliado de Vorcaro que se preocupou contra a própria vida após ser preso pela Polícia Federal (PF) na semana passada. A CPI ainda pediu informações sobre o caso do Sicário ao Supremo Tribunal Federal (STF). 

O cunhado do dono do Banco Master, Fabiano Campos Zettel, foi convocado pela CPI após aprovação de requisitos apresentados pelos senadores.

“Investigações no âmbito da Operação Carbono Oculto apontam que Fabiano Zettel possui conexões financeiras diretas com a Reag Investimentos e o Banco Master, instituições identificadas como braços financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Faria Lima”, justificou o senador Humberto Costa (PT-PE).

Banco Central

A CPI aprovou a convocação do ex-diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Paulo Sérgio Neves de Souza, e do ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Bellini Santana, ambos afastados das cargas.

Ao solicitar a convocação de funcionários do BC, o senador Humberto Costa disse que relatório da PF indica que eles deveriam atuar como consultores informais de Daniel Vorcaro.

“Facilitando a operação de compra do então Banco Máxima (posteriormente renomeado como Banco Master) e divulgando informações sigilosas para o banqueiro, a fim de municiá-lo a respeito das operações realizadas pelo Banco Central”, justificou Costa.

A Comissão ainda corta os sigilos da empresa Varajo Consultoria, ligada à Vorcaro , e que teria sigo responsável pela proposta de pagamento ao servidor do BC. O chefe da companhia, Leonardo Augusto Furtado Palhares, ainda foi convocado pela CPI.

Faria Lima

Foram alvos de quebras de sigilos bancários, empresários fiscais e telefônicos e investigados por associação com a lavagem de dinheiro do PCC na Faria Lima, onde se concentram as empresas do mercado financeiro na capital paulista.

Uma série de requisitos foram aprovados com quebra de sigilos de investigação apontados pela operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que desenvolveu esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

Um dos que teve os sigilos quebrados foi o “Beto Louco”, o Roberto Augusto Leme da Silva, considerado responsável pela gestão de distribuidoras de combustíveis que lavariam dinheiro para a organização criminosa paulista.

“O esquema, que movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, utilizou uma vasta rede de postos de combustíveis e fundos de investimento para ocultar a origem ilícita dos recursos, demonstrando uma atuação sofisticada no mercado financeiro, com epicentro na Avenida Faria Lima, em São Paulo”, argumentou o senador Humberto Costa.

Outro investigado que teve os sigilos quebrados foi o Mohamad Hussein Mourad, considerado um dos principais operadores do esquema de lavagem de dinheiro do PCC, e que teria conexões com o Banco Master.

Outro empresário ligado ao esquema desvendado pela Carbono Oculto, e que teve os sigilos quebrados pela CPI, é o Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, e Danilo Berndt Trent, tidos como “sócio oculto” da Precisa. A empresa já figurou em investigação de esquema de corrupção de compra de vacinas no período da pandemia.

“As empresas de Francisco Maximiano foram utilizadas como veículos para a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e para a realização de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro e o patrimônio público”, completou Humberto.

“A Turma”

Outro foco da CPI de quarta-feira foram os envolvidos neste grupo “A Turma”, usado para monitorar e intimidar adversários do banqueiro Daniel Vorcaro, que teria liderado um esquema de fraudes no mercado financeiro que pode chegar a cerca de R$ 50 bilhões.

O grupo chegou a um debatedor simular um assalto para “quebrar todos os dentes” do jornalista do O Globo , Lauro Jardim, que teria publicado notícias que desagradaram ao Vorcaro. 

A CPI aprovou a convocação de Ana Cláudia Queiroz de Paiva para participar dos pagamentos para custear as atividades do grupo “A Turma”.

A comissão ainda aprovou as quebras dos sigilos de Marilson Roseno da Silva, escrito registrado pela PF que foi preso preventivamente como um dos principais operadores do grupo “A Turma”.

A CPI corta os sigilos de outras empresas ligadas à Master, como a King Participações Imobiliárias, e a King Motors Locação de veículo, além da quebra de sigilo de empresas donas de avião usadas para dar carona aos aliados do Vorcaro. A comissão pediu ainda uma lista dos passageiros beneficiários.

“Informações divulgadas pela imprensa e acusações coletadas no âmbito da Operação Compliance Zero sugerem que altas autoridades da República teriam se utilizado de aeronaves particulares”, justificou o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

A comissão ainda foi chamada para depoimento o empresário Vladimir Timerman, que vinha denunciando, por ano, as fraudes no Master.