Fundador da Reag confirma Banco Master como cliente e nega ligação com PCC
João Carlos Mansur depõe à CPI, afirma diligência da empresa e refuta qualquer associação com o crime organizado
O fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, confirmou nesta quarta-feira (11) à CPI do Crime Organizado que o Banco Master figurava entre os clientes da administradora de recursos. O esclarecimento foi feito a pedido do presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), durante o depoimento.
“O Banco Master era um dos clientes, como outros bancos, como outras instituições financeiras e como outras empresas de mercado, um cliente como o senhor, como eu, como o nosso advogado. Então, normal”, afirmou Mansur.
Segundo o fundador, a Reag teria sido penalizada por sua atuação independente. “Nosso mercado penaliza o independente”, declarou.
Mansur negou qualquer vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC). "Trabalhamos de forma muito diligente, muito consciente. Infelizmente passamos um rolo compressor. Nós não temos nenhuma ligação. Como o nosso advogado, o nosso patrono acabou de colocar, no procedimento do Carbono Oculto, em 15 mil páginas, não existe nenhuma menção à associação com o PCC ou com o crime organizado", garantiram aos senadores.
Questionado sobre a razão das investigações associadas ao Reag ao PCC, Mansur preferiu não responder, justificando que estava “em um ambiente público”.
Durante todo o depoimento, o executivo adotou uma postura de silêncio diante de perguntas que poderiam gerar autoincriminação, amparada pela decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que lhe garantiu esse direito na CPI.
Na primeira etapa da operação Compliance Zero, a Polícia Federal investigou um suposto esquema de venda de carteiras de crédito inexistentes pelo Master ao Banco de Brasília (BRB). O Banco Central alertou a PF e o Ministério Público Federal (MPF) sobre uma possível fraude bilionária envolvendo Master e Reag, que teria operado uma triangulação de recursos.
A gestora já havia sido alvo de outra investigação. Em agosto, foi incluída a operação Carbono Oculto, na qual PF e MPF apuraram um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A Reag teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em janeiro de 2026.