DIREITOS DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Comissão aprova adicional de 30% para profissionais de saúde em áreas de risco

Projeto de Lei prevê benefício financeiro e medidas de proteção para quem atua em regiões violentas

Publicado em 11/03/2026 às 13:19
Deputados aprovam adicional de 30% para profissionais de saúde em áreas de risco e conflito. Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 5654/25, que institui a Política de Proteção e Incentivo aos Profissionais de Saúde em Áreas de Conflito e Alta Periculosidade. A proposta estabelece um adicional de risco de 30% sobre o vencimento básico para profissionais expostos à violência.

O benefício será concedido aos profissionais que atuam em unidades de saúde localizadas em áreas com conflitos armados, altos índices de criminalidade ou vulnerabilidade extrema.

De autoria da deputada Enfermeira Ana Paula (Pode-CE), o texto determina que os ministérios da Justiça e Segurança Pública e da Saúde classifiquem as áreas de risco com base em dados oficiais de segurança pública.

O adicional terá caráter indenizatório, ou seja, não será incorporado ao salário para efeito de aposentadoria. Entretanto, será possível acumular esse benefício com outros adicionais, como insalubridade e periculosidade.

O relator, deputado Allan Garcês (PP-MA), apresentou parecer favorável. "No contexto da atenção primária à saúde, a violência urbana também é um desafio que tem impactado diretamente o setor devido à localização geográfica dos equipamentos de saúde em áreas vulneráveis e à maior exposição dos trabalhadores a situações de risco", destacou.

Segurança e apoio psicológico

Além da compensação financeira, o projeto prevê medidas para proteger os profissionais de saúde e garantir o atendimento em áreas violentas, como:

  • protocolos de evacuação em casos de confronto;
  • sistemas de monitoramento e botões de pânico nas unidades;
  • reforço do policiamento no entorno das unidades de saúde;
  • acompanhamento psicológico e psiquiátrico para os profissionais expostos ao risco.

Próximos passos

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Saúde; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para se tornar lei, a proposta ainda precisa ser aprovada por deputados e senadores.