DIREITOS HUMANOS

Sessão solene homenageia memória de Marielle Franco e Anderson Gomes

Câmara dos Deputados realiza homenagem e destaca importância da justiça e da luta pela democracia oito anos após os assassinatos

Publicado em 11/03/2026 às 14:52
Sessão solene na Câmara homenageia Marielle Franco e Anderson Gomes, reforçando luta por justiça e democracia. Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Em sessão solene realizada nesta quarta-feira (11), a Câmara dos Deputados prestou homenagem à memória da vereadora carioca Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, assassinados no Rio de Janeiro em 14 de março de 2018.

O deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), colega de partido de Marielle, presidiu a sessão e destacou que Marielle representava uma "pedra no caminho" dos interesses econômicos das milícias.

“O julgamento dos mandantes no STF não deixava dúvidas sobre esses dois lados. Queriam tirar a pedra do caminho, mas queriam também impedir a semente de germinar. Esses dois lados do processo precisam ser encarados de forma conjunta. E aí temos a primeira derrota deles, dos assassinos", afirmou Motta.

Ele lembrou ainda que a primeira derrota dos assassinos não veio apenas com o recente julgamento: "A derrota deles foi que a semente germinou e nenhum de nós se calou, porque os movimentos sociais tomaram as ruas e impediram que esse crime político fosse mais um crime político sem elucidação na sociedade brasileira”, concluiu.

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, em 25 de fevereiro, os mandantes e envolvidos no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão receberam penas de 76 anos de prisão, enquanto outros três envolvidos também foram condenados por homicídio e obstrução de justiça.

Democracia

Uma das autoras do requerimento para a realização da sessão solene, a deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) ressaltou que a homenagem ocorre em um momento significativo para a democracia, marcado pela condenação dos mandantes dos assassinatos.

"A condenação foi uma resposta, mas a justiça não terminou com a condenação dos mandantes, apesar de ter sido uma resposta fundamental à democracia", afirmou Mônica Benício, viúva de Marielle Franco.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, defendeu que o projeto político de proteção às mulheres se torne realidade.

“Não adianta tentar fazer com que a violência possa nos calar. Não adianta fazer como fizeram com Marielle. Não adianta fazer como todas as violências que têm nos assolado neste país, como foi, infelizmente, esse estupro coletivo", declarou a ministra, referindo-se ao crime ocorrido recentemente no Rio de Janeiro, onde cinco homens (quatro adultos e um adolescente) foram acusados de estuprar uma adolescente de 17 anos.

Justiça

Agatha Arnaus Reis, viúva de Anderson Gomes, participou virtualmente da sessão e destacou que a justiça trouxe esperança concreta.

“O caminho foi aberto para que o Brasil possa olhar com mais coragem, para que a questão possa ser resolvida. E não pode ser um compromisso só no passado, só com ele, é uma tarefa do presente. O que começou em 2018 só abriu a porta de algo muito maior", afirmou Agatha.

A ministra interina das Mulheres, Eutália Barbosa, também esteve presente e ressaltou que Marielle transformou sua história em trincheira de luta e dignidade.

Já Janine Mello, secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos, enfatizou que a luta pela memória de Marielle e Anderson não deve se limitar à responsabilização criminal, mas requer um compromisso coletivo para que crimes como esse não sejam mais tolerados.

Janine Mello também destacou a importância de avançar na proteção dos defensores de direitos humanos e no combate à violência política de gênero e raça.