ENERGIA ESTRATÉGICA

Ministro anuncia divulgação das diretrizes do leilão de armazenamento de energia para abril

Alexandre Silveira afirma que medidas visam equilibrar o sistema elétrico e reduzir dependência de térmicas

Publicado em 11/03/2026 às 17:02
Ministro Alexandre Silveira anuncia diretrizes para leilão de armazenamento de energia em abril. Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou aos deputados da Comissão de Minas e Energia que as diretrizes do leilão de armazenamento de energia serão divulgadas em abril. O chamado “leilão de baterias” busca solucionar o problema do excesso de energia em determinados períodos do dia, fator que pode causar instabilidades no sistema elétrico nacional.

Silveira foi questionado por parlamentares sobre o andamento do leilão de armazenamento, especialmente porque, na próxima semana, será realizado um leilão para contratação de usinas térmicas, consideradas mais poluentes. Essas térmicas são acionadas quando há queda na geração hidrelétrica. Com o armazenamento do excedente produzido por fontes eólica e solar, a necessidade de contratação de térmicas poderia ser reduzida.

O deputado Danilo Forte (União-CE) destacou que o "leilão de baterias" pode contribuir para a sustentabilidade do sistema, ao mitigar a intermitência das fontes renováveis, e também ressaltou a importância da ampliação das linhas de transmissão para transportar a energia do Nordeste ao Sudeste.

“Muito se fala das renováveis nos discursos da COP [Conferência do Clima das Nações Unidas], mas seguimos com o leilão das térmicas avançando. E os leilões de baterias, que deveriam ter ocorrido no ano passado, ainda não aconteceram”, questionou Forte.

Reajustes
Sobre possíveis reajustes nos preços dos combustíveis devido à guerra no Oriente Médio, Silveira afirmou que a Petrobras possui autonomia para agir, mas ressaltou que o governo está atento aos postos que aumentam os preços sem reajustes nas refinarias.

“Se não tivesse ocorrido a privatização da BR Distribuidora, não estaríamos enfrentando a especulação criminosa que hoje prejudica os consumidores brasileiros. Por diversas vezes, acionei o Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica], a Senacon [Secretaria Nacional do Consumidor], notifiquei os Procons nacionais e atuamos firmemente para combater o cartel de combustíveis no Brasil”, afirmou o ministro.

Energia nuclear
O ministro voltou a defender o desenvolvimento da energia nuclear, tanto para assegurar o fornecimento aos futuros datacenters que devem ser instalados no país quanto para fins de defesa nacional. Silveira ressaltou que, enquanto o mundo ainda disputa petróleo, em breve o foco estará nas terras raras e minerais críticos, dos quais o Brasil possui a segunda maior reserva mundial e a sétima maior de urânio.

“Compreendo a decisão do constituinte de 1988, que determinou o uso do potencial nuclear brasileiro apenas para geração de energia. No entanto, acredito que, diante do cenário atual, o Brasil precisa avançar na área energética e debater, de forma democrática e junto às Forças Armadas, o fortalecimento da nossa defesa nacional”, opinou Silveira.

Sobre a renovação das concessões de distribuição de energia nos estados, o ministro comentou que a Enel, responsável pelo serviço em São Paulo, apesar das críticas pela resposta a recentes apagões na capital, cumpre os índices exigidos para renovação do contrato.

Em resposta ao deputado Hugo Leal (PSD-RJ), Silveira informou ainda que as diretrizes para o primeiro leilão de energia eólica offshore serão aprovadas no próximo dia 19, em reunião do Conselho Nacional de Política Energética.