POLÍTICA & DIREITOS

Erika Hilton é eleita presidente da Comissão dos Direitos da Mulher em votação polêmica

Deputada do PSOL-SP assume o comando do colegiado e destaca pluralidade, enquanto oposição questiona escolha e debate se intensifica na Câmara

Publicado em 11/03/2026 às 17:56
Erika Hilton é eleita presidente da Comissão dos Direitos da Mulher em votação marcada por debates sobre pluralidade Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados elegeu, nesta quarta-feira (11), a deputada Erika Hilton (Psol-SP) como nova presidente do colegiado para este ano. Ela recebeu 11 votos, enquanto dez votos foram registrados em branco. Erika Hilton sucede a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) na liderança da comissão.

Em seu discurso de posse, Erika Hilton ressaltou ser a primeira mulher trans a presidir a comissão e afirmou que pretende conduzir a gestão com diálogo e compromisso com os direitos das mulheres.

“Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande. Minha gestão tratará de todas as mulheres: das mães solo, das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, indígenas e das que lutam por sobrevivência e dignidade em todos os cantos deste país”, declarou.

Composição da mesa
Além de Erika Hilton, foram eleitas Laura Carneiro (PSD-RJ) para a 1ª vice-presidência, Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) para a 2ª vice-presidência e Socorro Neri (PP-AC) para a 3ª vice-presidência. Todas receberam 11 votos, com dez votos em branco em cada cargo.

Entre as prioridades anunciadas pela nova gestão estão:

  • fiscalização da rede de proteção e das Casas da Mulher Brasileira;
  • enfrentamento à violência política de gênero;
  • promoção de políticas de saúde integral para as mulheres.

Críticas e debates na comissão
Deputadas de oposição lamentaram a eleição de Erika Hilton e defenderam que a presidência deveria ser ocupada por uma mulher cisgênero. Elas também criticaram o que chamaram de “ideologização” da comissão.

“Não podemos concordar com a entrega desta comissão, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, a uma pauta que desvirtua a própria essência feminina”, afirmou Chris Tonietto (PL-RJ).

A deputada Clarissa Tércio (PP-PE) declarou que a presidência deveria ser ocupada por uma "mulher de fato". Segundo ela, a escolha de Erika Hilton representa um retrocesso para a pauta feminina e afronta valores defendidos pelo segmento conservador.

"Nós não podemos nos calar diante do que estamos vendo. Esta comissão é das mulheres, e nós queremos ser representadas por mulheres de verdade, que entendem a nossa natureza e os nossos desafios biológicos", declarou.

Defesa da pluralidade
A deputada Laura Carneiro, eleita 1ª vice-presidente, destacou que o foco do trabalho deve ser a vida das mulheres brasileiras, independentemente de ideologias.

"Esta comissão tem uma história de muitas lutas e conquistas. Como vice-presidente, meu compromisso é trabalhar ao lado da presidência e de todas as colegas para que o nosso foco seja um só: o direito e a dignidade de cada mulher deste País", afirmou.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) ressaltou a instalação do colegiado como um momento de resistência. Ela defendeu a legitimidade da presidência eleita e criticou tentativas de interditar o debate por preconceito. Para Kokay, a comissão deve acolher a diversidade de todas as mulheres brasileiras, sem exclusões.

"Nós não vamos aceitar que esta Casa seja palco para o ódio. Esta comissão trabalhará pela vida das mulheres, pela igualdade e, sobretudo, para que o Estado Brasileiro cumpra o seu papel de proteger quem está em vulnerabilidade", concluiu.