Citado em conversas com Daniel Vorcaro, Ciro Nogueira diz que 'quem cometeu ilícito, que pague'
Senador nega envolvimento e recebimento de valores após ser mencionado em mensagens encontradas no celular do banqueiro preso
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou nesta quarta-feira, 11, que "quem cometeu ilícito deve pagar de maneira exemplar". A declaração foi feita a jornalistas após evento da Apex Partners, em Brasília, quando o parlamentar foi questionado sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Penitenciária Federal de Brasília.
"Temos que fortalecer todas as instituições. E quem cometeu ilícitos deve pagar de forma exemplar no nosso País", reforçou Nogueira.
A fala ocorre após a Polícia Federal encontrar, no celular de Vorcaro, diálogos com o senador e registros de ordens de pagamento a uma pessoa identificada apenas como "Ciro".
Os investigadores apuram se há indícios de crime envolvendo o banqueiro e o parlamentar. Nogueira nega proximidade com Vorcaro e afirma não ter recebido qualquer pagamento.
Segundo revelou o Estadão, a referência a pagamentos aparece em conversa de Vorcaro com o cunhado Fabiano Zettel, apontado como seu operador financeiro. Em maio de 2024, Zettel enviou ao banqueiro uma lista de repasses pendentes, incluindo a anotação "Pagamento pra Ciro", e Vorcaro autorizou os valores. Até o momento, a investigação não obteve dados bancários que permitam identificar o destinatário.
O jornal também apurou que o celular de Vorcaro continha mensagens nas quais ele descrevia Nogueira como um "grande amigo de vida" e comemorava uma iniciativa legislativa do senador favorável ao Master.
A data da mensagem, 13 de agosto de 2024, coincide com a apresentação de uma emenda à PEC de autonomia financeira do Banco Central por Ciro Nogueira, que propunha elevar o limite do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. A medida foi vista por políticos e agentes do mercado como uma das primeiras intervenções legislativas em favor do banco.
As informações coletadas no celular de Vorcaro foram encaminhadas ao ministro do STF André Mendonça, responsável por decretar a prisão preventiva do banqueiro. Até o momento, não há investigação formal instaurada contra Nogueira.
Em nota, o senador argumentou que o nome "Ciro" aparece sem sobrenome ou cargo nos diálogos e que, segundo o IBGE, há mais de 11 mil pessoas com esse nome no Brasil, incluindo um advogado da própria defesa de Vorcaro.