SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Zanin é sorteado relator de ação que pede CPI do Master após Toffoli se declarar suspeito

Ministro Cristiano Zanin assume relatoria no STF após Dias Toffoli alegar suspeição por 'foro íntimo' em caso que investiga fraudes na negociação entre Banco Master e BRB.

Publicado em 11/03/2026 às 19:29
Cristiano Zanin Lula Marques/Agência Brasil

O ministro Cristiano Zanin foi sorteado na noite desta quarta-feira, 11, como relator da ação que solicita a instalação da CPI do Banco Master na Câmara dos Deputados. O sorteio ocorreu logo após o ministro Dias Toffoli declarar-se suspeito para conduzir o processo, alegando 'foro íntimo', sem detalhar os motivos.

A relatoria, inicialmente atribuída a Toffoli, foi redistribuída após o ministro deixar, em 12 de fevereiro, a condução do inquérito no Supremo Tribunal Federal que apura crimes supostamente praticados pelos controladores do Banco Master.

O afastamento de Toffoli foi decidido em reunião reservada entre os dez ministros da Corte. Na ocasião, decidiu-se pela saída do ministro do caso, sem declaração formal de suspeição ou impedimento.

Ao abrir mão da relatoria, Toffoli fundamentou sua decisão no artigo 145, parágrafo 1º, do Código de Processo Civil, que prevê suspeição do juiz quando há amizade íntima ou inimizade com qualquer das partes ou advogados. O ministro, no entanto, não revelou a quem se referia como 'amigo íntimo' ou desafeto nos autos da Compliance Zero.

A solicitação de abertura da CPI ao Supremo foi feita pelo deputado federal e ex-governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). O parlamentar pede a instalação da comissão para investigar suspeitas de fraudes na negociação de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Na petição enviada ao STF, Rollemberg afirma que há um "ato omissivo inconstitucional" por parte do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao não instalar a CPI para apurar "as fraudes ocorridas na relação entre o Banco Master e o BRB".

"A prolongada inércia na investigação de graves fraudes financeiras, como as que envolvem o Banco Master e o BRB, pode causar danos irreparáveis ao sistema financeiro, à confiança dos investidores e à própria imagem da fiscalização parlamentar", argumenta o deputado na petição.