Assessor de Trump busca reuniões no Itamaraty após cobrança de Moraes
Após questionamento do STF sobre agenda de Darren Beattie no Brasil, diplomacia americana faz contato informal com o governo Lula, mas ainda sem pedidos formais de reuniões.
Após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, solicitar ao Itamaraty informações sobre a agenda diplomática de Darren Beattie, conselheiro do governo Donald Trump, a diplomacia dos Estados Unidos procurou o governo brasileiro para agendar visitas.
Até então, Darren Beattie não havia solicitado encontros com representantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Os pedidos de contato ocorreram no mesmo dia da decisão de Moraes e foram direcionados apenas ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), sem envolver o Palácio do Planalto.
A atuação de Moraes se deu após a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pedir autorização para uma visita de Beattie na Papudinha, onde Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. Como relator da execução penal, Moraes autorizou a visita, estipulando data e horário específicos: 18 de março, das 8h às 10h, conforme regras do sistema prisional.
Diante disso, a defesa de Bolsonaro solicitou ao ministro maior flexibilidade para remarcar a visita, o que levou Moraes a exigir detalhes da agenda do conselheiro americano.
De acordo com apuração do Estadão, representantes da embaixada dos EUA entraram em contato com o MRE por e-mail e mensagens de WhatsApp. Até a manhã desta quinta-feira, 12, não havia, porém, um pedido formal de reuniões, procedimento usualmente feito por meio de "nota verbal".
Fontes do governo brasileiro classificaram o contato como "improvisado", mas indicaram que as solicitações podem ser atendidas.
Beattie não é diplomata de carreira. Atua como consultor sênior de Políticas para o Brasil na equipe do secretário de Estado Marco Rubio e lidera o Escritório para Assuntos de Educação e Cultura.
Próximo do trumpismo e de aliados de Bolsonaro, Beattie não deve ser recebido pelo ministro Mauro Vieira, que considerou a visita dele ao Brasil — com reunião com Bolsonaro na agenda — uma possível "ingerência" estrangeira em ano eleitoral.
O pedido foi encaminhado à Secretaria de Europa e América do Norte, sob comando do embaixador Roberto Abdalla. Em 2023, outro diplomata americano de menor escalão foi recebido pelo Departamento de América do Norte, chefiado por Christiano Sávio Barros Figueirôa.
Segundo ofício do MRE, Beattie também solicitou encontro com a Coordenação Geral de Combate a Ilícitos Transnacionais, liderada pelo embaixador Marcelo Della Nina.
Até o momento, nenhuma das agendas foi confirmada, informou o Itamaraty ao STF.
Além de Brasília, onde também deve se reunir com o senador e pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Beattie é esperado em São Paulo para um evento sobre minerais críticos promovido pelos EUA e pela Amcham Brasil, nos dias 18 e 19 de março.