Crise no PL escala e debandada de vereadores aliados de JHC deve virar caso de justiça
Direção nacional contesta cartas de anuência e abre disputa que pode redefinir mandatos na Câmara de Maceió
A disputa interna no PL de Maceió ganhou novos contornos e pode caminhar para um desfecho judicial após o envio de notificações a vereadores que deixaram a legenda acompanhando o prefeito JHC.
Nos bastidores, integrantes da atual direção do partido sustentam a narrativa de que teria havido uma espécie de “golpe” antes da saída de JHC da sigla.
Segundo esse entendimento, o então comando partidário teria concedido cartas de anuência aos vereadores aliados do prefeito, permitindo que deixassem o PL sem risco de perda de mandato - movimento que viabilizou a migração em bloco para a base governista.
A origem da crise remonta ao momento em que JHC recebeu, segundo interlocutores, uma orientação da direção nacional do PL para compor politicamente com o deputado federal Arthur Lira e com o também deputado Alfredo Gaspar. A proposta, no entanto, teria sido rejeitada pelo prefeito, que buscava manter autonomia sobre o projeto político local, inclusive com a intenção de lançar um nome de sua confiança - como a esposa ou a mãe - em futuras disputas eleitorais.
Diante da resistência, a permanência de JHC no comando do partido tornou-se insustentável, culminando na sua destituição pouco tempo depois.
Antes disso, porém, as cartas de anuência já haviam sido concedidas aos vereadores aliados.

O problema é que a direção nacional do PL não reconheceu a validade dessas autorizações e passou a contestar a saída dos parlamentares. A divergência abriu um impasse jurídico que agora deve ser analisado pela Justiça Eleitoral.
De um lado, os vereadores sustentam que agiram amparados por documentos oficiais, devidamente formalizados, que autorizavam a desfiliação. Do outro, a cúpula partidária argumenta que houve irregularidade no processo e tenta invalidar as anuências concedidas.
O embate expõe uma guerra interna pelo controle político do partido em Alagoas e coloca em jogo não apenas a permanência dos mandatos, mas também o redesenho das forças políticas na capital.
Enquanto isso, o PL segue fragilizado na Câmara de Maceió, com base reduzida e enfrentando dificuldades para reorganizar sua atuação, como ficou evidente na tentativa frustrada de reunião recente com vereadores que já migraram para a base de JHC.
Com o caso prestes a ser judicializado, o desfecho deverá criar um precedente relevante sobre a validade de cartas de anuência em disputas partidárias e o alcance das decisões das direções nacionais sobre diretórios locais.