Leite alerta Kassab sobre risco de fragmentação à direita em 2026
Governador gaúcho defende candidatura de centro pelo PSD e critica perfil de Caiado, associado ao bolsonarismo.
Com a saída de Ratinho Júnior (PSD-PR) da disputa interna do partido, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), passou a confrontar diretamente o perfil do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como alternativa do PSD à Presidência em 2026.
Em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (25), Leite destacou que a candidatura do partido precisa se afastar do debate sobre anistia e indulto, e se consolidar como uma alternativa real de centro.
"Quero muito que a gente possa ter a opção da candidatura de centro e não simplesmente uma candidatura na esquerda e três candidaturas do lado da direita mais radicalizada", afirmou Leite.
A declaração foi um recado ao perfil de Caiado, que defende anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e é visto por aliados como o nome mais próximo ao bolsonarismo dentro do PSD.
"Eu defendo que não seja discutindo anistia nem indulto, eu defendo que seja discutindo um novo Brasil", reforçou Leite, avaliando que a saída de Ratinho zerou o jogo interno e que caberá a Gilberto Kassab (PSD), em consulta com lideranças do partido, definir o perfil da candidatura.
Para disputar o eleitorado de Caiado, Leite apresentou os números da segurança pública do Rio Grande do Sul como principal credencial. Segundo o governador, seu governo reduziu em mais de 60% o índice de homicídios, em 80% os roubos a pedestres e em 90% os roubos de veículos, além de registrar o menor número de roubos de celulares per capita do Brasil.
Leite também rejeitou o que chamou de falsa escolha proposta pelos extremos. "Parecem querer vender a ideia de que é uma coisa ou outra, ou vai ser duro contra o crime ou vai proteger quem precisa. E o Brasil não pode fazer essa escolha", afirmou.
O governador elencou os temas que, em sua avaliação, devem pautar o debate presidencial: a crise nas contas públicas, que mantém os juros elevados e deprime a economia, e o avanço do crime organizado, que exige resposta do presidente da República. Nesse contexto, citou o caso do Banco Master.
"A gente vai para mais uma eleição que tem uma crise política, um escândalo. Já teve a eleição do Mensalão, a eleição da Lava Jato, agora tem a eleição com o Banco Master. A gente precisa recuperar a autoridade moral e trazer a discussão de como aprimorar as nossas instituições para evitar que esse tipo de coisa aconteça", disse.
Leite também reforçou que sua postura de independência em 2022, quando não aderiu à candidatura de Lula nem à de Bolsonaro, é o que o legitima a liderar um projeto de centro. Afirmou ainda que não deixará o mandato estadual para concorrer ao Senado nem para integrar uma chapa presidencial como vice.
Debate reacende após saída de Ratinho Jr.
A disputa foi reaberta na segunda-feira (23), quando Ratinho Júnior anunciou que permanecerá no cargo até o fim do mandato. A decisão surpreendeu aliados de Kassab, que até então consideravam o paranaense o nome preferido.
Com a saída, Caiado ganhou força: nesta terça-feira (24), reuniu-se com Kassab em São Paulo, e integrantes do partido ouvidos pelo Estadão indicam que o goiano tende a ser o escolhido. Nesta quarta-feira foi a vez de Eduardo Leite se encontrar com Kassab. Após o encontro, o presidente do PSD confirmou que o nome deve ser anunciado até a próxima terça-feira (31), mas afirmou que ainda não há definição nem favorito.