PERCEPÇÃO PÚBLICA

AtlasIntel: 39,5% veem aliados de Lula mais envolvidos no caso Master; 28,3% citam grupo de Bolsonaro

Pesquisa aponta que maioria dos brasileiros associa o escândalo do Banco Master a políticos próximos de Lula, enquanto 28,3% vinculam o caso a aliados de Bolsonaro. Congresso e STF também aparecem como principais alvos de atribuição de responsabilidade.

Publicado em 26/03/2026 às 10:58
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Ricardo Stuckert/PR

Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (26) revela que 39,5% dos brasileiros veem aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como mais envolvidos no esquema do Banco Master. Outros 28,3% associam o caso a pessoas próximas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto 12,9% responsabilizam o Centrão. Já 14,6% dos entrevistados acreditam que todos os grupos políticos estão implicados no escândalo.

Entre as instituições, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF) concentram a percepção de maior envolvimento no caso Master. Para 71% dos respondentes, o Congresso está totalmente (45%) ou muito envolvido (26%). Já o STF é considerado totalmente (47%) ou muito envolvido (10%) por 57% dos entrevistados. Segundo a pesquisa, essas instituições são os principais alvos de atribuição de responsabilidade.

O governo federal aparece com 43% dos entrevistados considerando-o totalmente envolvido e 8% como muito envolvido. O Banco Central é visto como totalmente envolvido por 28% e muito envolvido por 16%. Já os governos estaduais e prefeituras são apontados como totalmente envolvidos por 25% e muito envolvidos por 18%.

O levantamento ouviu 5.028 pessoas entre 18 e 23 de março, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

As investigações da Polícia Federal sobre o escândalo de fraudes financeiras no Banco Master indicaram que o dono da instituição, Daniel Vorcaro, mantinha relações com figuras políticas de destaque.

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostraram conversas e encontros com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além de contatos com o ex-governador João Doria e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

Ministros do STF também surgem nas investigações. O tribunal entrou no centro do escândalo após a revelação de que a advogada Viviane de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, firmou contrato milionário com o banco. Também foram identificadas trocas de mensagens entre Vorcaro e Moraes no dia da primeira prisão do banqueiro, em novembro do ano passado.

Em outra frente, uma empresa da qual o ministro Dias Toffoli é sócio teria recebido recursos de um fundo ligado ao banco. Após a divulgação, Toffoli deixou a relatoria das investigações e se declarou suspeito para atuar nos julgamentos do caso.

O presidente Lula afirmou ter se encontrado com Vorcaro em dezembro de 2024, em reunião mediada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Segundo Lula, não houve "posição política" a favor ou contra o banco, mas sim uma "investigação técnica".

Lula explicou que o encontro ocorreu fora da agenda oficial e que, na ocasião, convocou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo (então indicado ao cargo), e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, para acompanharem a reunião.