DECISÃO JUDICIAL

Justiça anula condenação de Nikolas Ferreira por transfobia em discurso na Câmara

TJDFT entendeu que deputado estava protegido por imunidade parlamentar ao discursar com peruca no Dia da Mulher

Publicado em 26/03/2026 às 14:44
Reprodução/internet

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) anunciou nesta quarta-feira, 25, o relatório do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que havia sido condenado a pagar R$ 200 mil em indenização por danos morais. O caso ocorreu em 2023, durante o Dia Internacional da Mulher, quando o parlamentar apresentou uma peruca em discurso na tribuna da Câmara dos Deputados.

Na ocasião, Nikolas foi apresentado como "deputada Nikole" para ironizar o movimento feminista e defender que as mulheres retomem a feminilidade por meio do casamento e da maternidade.

A ação judicial foi movida pela Aliança Nacional LGBTI+ e pela Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas, que alegaram que, em 8 de março de 2023, o deputado discursou de forma irônica e agressão aos transgêneros, utilizando uma peruca amarela e se apresentando como "deputada Nikole".

Em abril do ano passado, a juíza Priscila Faria da Silva, da 12ª Vara Cível de Brasília, condenou Nikolas ao pagamento de R$ 200 mil, entendendo que suas declarações ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e configuraram discurso de ódio.

No entanto, nesta quarta-feira, a Corte decidiu que a imunidade parlamentar protege a conduta do deputado, já que o episódio ocorreu durante o exercício do mandato e no âmbito da Câmara. A defesa de Nikolas argumentou que a manifestação foi amparada pela imunidade parlamentar e dentro do direito à liberdade de expressão.

Nikolas comemorou a decisão nas redes sociais, relembrando o apelido usado no episódio: "Absolvido da reportagens da peruca. Nikole tem razão. Grande dia", publicado no X.

A advogada Amanda Souto Baliza, representante das entidades autoras da ação, informou ao Estadão que a equipe jurídica está analisando a decisão do Tribunal para definir os próximos passos. “Entendemos que a conduta do parlamentar extrapolou os limites de sua imunidade e que a continuidade da conduta nas redes sociais à época também enseja a manutenção da publicação em primeiro grau”, afirmou. "De qualquer forma, sempre respeitamos e confiamos na Justiça brasileira", completou.

Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas, declarou ao Estadão que a entidade continuará recorrendo à Justiça em casos de violência ou discurso de ódio. Sobre o caso do deputado Nikolas, a associação está disponível a possibilidade de recorrer. "E se não puder recorrer, é a vida. Às vezes, a gente ganha, às vezes, a gente perde. Mas é importante, isso é um processo pedagógico. Precisamos educar a sociedade para o respeito mútuo. Ninguém deve ser discriminado, nem gay, nem hétero, nem trans, nem pessoas cisgêneras. Todos somos iguais iguais à lei", afirmou.