POLÍTICA

Tarcísio afirma que governo Lula 'vive de narrativas' e perdeu conexão com a população

Governador de São Paulo rebate críticas de Lula e defende programa habitacional Casa Paulista durante anúncio de investimentos.

Publicado em 26/03/2026 às 17:23
Tarcísio Reprodução / Agência Brasil

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez nesta quinta-feira (26) uma série de críticas ao governo federal durante discurso no Palácio dos Bandeirantes. Segundo o chefe do Executivo paulista, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “vive de narrativas” e “perdeu a conexão com as pessoas” .

No evento, Tarcísio anunciou investimento de R$ 159 milhões para a concessão de 12,5 mil novas Cartas de Crédito Imobiliário (CCI) dentro do programa Casa Paulista. A política habitacional do Estado tem sido alvo de críticas públicas de Lula, que acusou o governador de “plagiar” iniciativas das gestões anteriores de Geraldo Alckmin (PSB), atual vice-presidente da República. O presidente também afirmou que a Casa Paulista teria sido estruturada para suprimir a marca do Minha Casa Minha Vida e minimizar a participação do governo federal nos projetos, avaliação rebatida por Tarcísio em seu discurso.

"Eu não queria estar na pele deles. Eles deveriam estar fazendo pesquisa agora, deveriam estar pensando assim: 'o que a gente faz?'. Porque toda narrativa que a gente tenta colar não cola, não está dando certo", disse. "Vão perder? Vão mesmo! Eles deveriam estar pensando: 'o que a gente faz agora?'. A gente tem que falar do que a gente está fazendo agora."

Ao comentar a situação da favela do Moinho, o governador criticou a criação de obstáculos ao longo do processo de reassentamento e questionou a lógica de dificultar ações voltadas à retirada de famílias de condições indignadas. Para ele, a entrega de resultados é mais consistente, faz mais sentido e estabelece maior conexão com a população. Nesse contexto, voltou a afirmar que os adversários “perderam a conexão com as pessoas” .

"Já estou habituado a ver as narrativas deles, mas isso realmente me incomoda. E quem não tem o que mostrar tem que viver de mágica, tem que viver de propaganda", afirmou. "O problema, e às vezes as pessoas não percebem, é que o cidadão já não se vê mais na propaganda. Essas pessoas não estão entendendo o que está no coração da população."

Tarcísio também afirmou que há uma tentativa de associar sua gestão a determinadas narrativas ao se destacarem operações de crédito como se fossem um favor do governo federal, quando, segundo ele, tratassem-se de obrigações regulares. Ele criticou ainda o fato de autoridades federais enfatizarem o financiamento concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em inaugurações de obras, argumentando que a União não participou das etapas de modelagem, elaboração de projetos, assunção de riscos ou execução de empreendimentos, limitando-se ao crédito ao parceiro privado.

O governador acrescentou que, na ausência do banco público, os projetos poderiam ser financiados por outras instituições, como bancos privados ou organismos multilaterais, e afirmou que não faz sentido considerar o protagonismo à União em iniciativas sustentadas com recursos do FGTS, oriundos do trabalhador.

“A relação do Minha Casa, Minha Vida frente ao que está sendo construída pela iniciativa privada cresce no Estado de São Paulo”, continua. “A gente vai viabilizar os empreendimentos com esse esforço. Porque, às vezes, 70%, 80%, 90% dos empreendimentos só fecham com o subsídio do Estado de São Paulo. Se não teve, não fechava.”