VAI E VOLTA NO DIÁRIO OFICIAL

JHC anula 47 exonerações após publicação e expõe instabilidade na gestão

Portarias tornadas “sem efeito” levantam questionamentos sobre planejamento, coerência administrativa e uso político da máquina pública

Por Redação Publicado em 27/03/2026 às 11:52

Uma sequência de atos publicados no Diário Oficial do Município de Maceió nesta quarta-feira (25) escancarou um cenário de instabilidade administrativa dentro da gestão do prefeito João Henrique Caldas (JHC).


Após exonerar dezenas de servidores no último dia 20 de março, o próprio prefeito voltou atrás e tornou sem efeito ao menos 47 exonerações, em uma série de portarias assinadas e publicadas em edição extraordinária.


As publicações seguem um padrão repetitivo: cada nova portaria cancela diretamente a anterior, anulando as exonerações que haviam sido formalizadas poucos dias antes.


Um governo que nomeia, exonera e recua


O que chama atenção não é apenas o número de exonerações revertidas, mas a velocidade do recuo.


Em menos de uma semana, a gestão: Exonerou servidores “a pedido” , em seguida publicou os atos oficialmente e depois voltou atrás em massa, anulando as decisões


Casos específicos mostram a mecânica do vai e volta. Portarias como a de nº 984, por exemplo, tornam sem efeito exonerações realizadas dias antes, repetindo o mesmo modelo em cadeia para diversos nomes.

Desorganização ou estratégia política?


A pergunta que surge nos bastidores é inevitável: trata-se de erro administrativo ou de movimentação política?


A prática de exonerar e, em seguida, desfazer o ato levanta hipóteses preocupantes: Falta de planejamento interno, pressões políticas de última hora, recuos após reação de grupos aliados e uso da máquina pública como instrumento de acomodação política.


Não se trata de um caso isolado, mas de um movimento em bloco, o que reforça a leitura de desorganização — ou, pior, de improviso.

Impacto direto na credibilidade da gestão


A administração pública exige previsibilidade, segurança jurídica e coerência nos atos.


Quando decisões oficiais são tomadas e desfeitas em sequência, o que se transmite não é apenas instabilidade, mas fragilidade na condução do governo.


A repetição do termo “tornar sem efeito” em dezenas de portarias revela mais do que um ajuste administrativo: expõe um modelo de gestão que parece reagir mais do que planejar.

Servidor vira peça de jogo político


Outro ponto crítico é o impacto direto sobre os servidores envolvidos.


Exonerados em um dia, reintegrados dias depois, esses profissionais acabam inseridos em um ambiente de incerteza, onde decisões não seguem critérios claros e podem ser revertidas a qualquer momento.


Isso compromete não apenas a gestão interna, mas também o funcionamento dos serviços públicos.

Entre o improviso e o desgaste político


O episódio ocorre em um momento delicado para o prefeito, que se prepara para deixar o cargo e entrar na disputa eleitoral.


A sucessão de atos contraditórios reforça a percepção de um governo sob tensão, pressionado por rearranjos políticos e disputas internas.


Mais do que um simples ajuste administrativo, o caso das exonerações que deixaram de existir evidencia um problema maior: a dificuldade de manter coerência e controle na máquina pública.

O retrato de uma gestão em movimento ou em descontrole


No fim das contas, o Diário Oficial acabou revelando mais do que atos administrativos.


Revelou um governo que decide e recua, publica e desfaz, exonera e recontrata


E deixa no ar uma dúvida que ecoa nos bastidores políticos de Maceió: quem, de fato, está no controle das decisões dentro da Prefeitura?