JUSTIÇA

Ministério Público denuncia ex-vereador de SP por difamação contra secretários

Camilo Cristófaro é acusado de ofender Osvaldo Nico e Guilherme Derrite em postagens nas redes sociais durante ataques a ônibus na Grande SP.

Publicado em 27/03/2026 às 14:52
Vereador Camilo Cristófaro André Bueno / Rede Câmara

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou nesta quinta-feira, 26, o ex-vereador de São Paulo Camilo Cristófaro (PL) por crime de difamação contra o secretário de Segurança Pública do Estado, Osvaldo Nico, e o ex-titular da pasta, Guilherme Derrite (PP).

Segundo a denúncia, Cristófaro utilizou suas redes sociais para publicar críticas direcionadas a Nico e Derrite durante uma série de ataques a ônibus na Grande São Paulo. O Estadão tenta contato com a defesa de Cristófaro.

A Justiça de São Paulo já recebeu denúncia. O caso será analisado pelo juiz Marcos Vieira de Morais, da 26ª Vara Criminal da Barra Funda.

Histórico de eleitorais

Camilo Cristófaro foi o primeiro vereador de São Paulo a perder o mandato por racismo, sendo cassado em setembro de 2023 por quebra de decoro parlamentar após proferir uma frase racista durante uma CPI. Sua trajetória na Câmara Municipal, entretanto, já foi marcada por outras polêmicas e denúncias.

Quem é Camilo Cristófaro?

Formado em Direito, Cristófaro ingressou na política aos 18 anos, aproximando-se de Jânio Quadros. Foi eleito vereador pela primeira vez em 2016, com 29.603 votos, e reeleito em 2020, obtendo 23.431 votos. Em suas campanhas, concentrou críticas a figuras como Fernando Haddad (PT) e João Doria (PSDB).

Na biografia disponível no site da Câmara, Cristófaro também relata ter atuado como procurador do Estado na década de 1990.

Durante seu mandato, episódios controversos se acumularam. Em 2017, foi acusado de agredir verbalmente a então vereadora Isa Penna, chamando-a de “vagabunda” e “terrorista”. Apesar do pedido de cassação, o caso não avançou.

Em 2018, foi acusado de ato discriminatório contra o vereador George Hato (MDB), de origem japonesa, ao puxar os olhos com as mãos e apresentou ameaçá-lo. Cristófaro negou as acusações, mas os dois mantêm desavenças há anos.

Na legislatura de 2017-2020, Cristófaro também foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) à sanção máxima por coleta ilícita de recursos financeiros nas eleições de 2016. Ele ainda foi acusado de receber verbas de campanha de uma mesma "laranja" que teria abastecido a candidatura de José Auricchio Jr. Cristófaro chegou a perder o mandato, mas foi reconduzido ao cargo após decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).