CPMI do INSS analisa relatório que pede indiciamento de 216 pessoas
Documento de 4 mil páginas propõe indiciamento de parlamentares, ex-ministros e dirigentes ligados ao INSS e à Dataprev.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS iniciou nesta sexta-feira a análise do relatório final de suas investigações. Após sete meses de trabalho, o documento, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), possui cerca de 4 mil páginas e recomenda o indiciamento de 216 pessoas, incluindo parlamentares, ex-ministros, dirigentes e ex-dirigentes do INSS e da Dataprev.
No momento, Alfredo Gaspar realiza a leitura do relatório, com previsão de que o texto seja integralmente lido e votado ainda nesta sexta-feira. Entretanto, segundo o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), os trabalhos seguirão “o tempo necessário”, podendo avançar pela madrugada. Caso necessário e mediante acordo entre os parlamentares, uma nova reunião poderá ser convocada para sábado (28).
"Vamos com a leitura até o final. Se houver a possibilidade de votarmos um relatório comum, será muito bom. Caso haja destaques que, embora não estejam previstos, não estão proibidos, vamos discuti-los. Só de debates, estão previstas cerca de cinco horas, mas estamos em uma Casa de consensos. Vamos buscar o equilíbrio e o diálogo entre os dois lados, sempre com interesse na investigação", afirmou o presidente da CPMI.
Pedidos de indicação
Entre os nomes sugeridos para indiciamento estão o banqueiro Daniel Vorcaro; o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o ex-ministro do Trabalho e Previdência José Carlos Oliveira (hoje Ahmed Mohamad Oliveira), que comandou a pasta no governo Jair Bolsonaro; e o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, que atuou no governo atual. Também são citados o deputado Gorete Pereira (MDB-CE), o ex-deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o senador Weverton (PDT-MA).
O relatório, que ainda será votado pela CPMI, aponta que os crimes foram cometidos "de modo profissional e divididos em núcleos atuantes de forma coordenada". Entre os principais delitos incluídos estão organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, fraude eletrônica e prevaricação.
Sobre o CPMI
Instalada em agosto, a CPMI foi criada para investigar descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com prazo final previsto para 28 de março.
A reunião desta sexta-feira foi marcada após o Supremo Tribunal Federal (STF) revogar, por 8 votos a 2, a decisão do ministro André Mendonça que prorrogava os trabalhos da comissão.