Agente da PF envolvido em plano para matar Lula, Alckmin e Moraes é exonerado
Wladimir Matos Soares foi condenado a 21 anos de prisão por integrar grupo que planejou ataques contra autoridades após as eleições de 2022.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública exonerou nesta segunda-feira, 30, o policial federal Wladimir Matos Soares, condenado a 21 anos de prisão por participação no chamado "núcleo 3" da trama golpista que tentou manter Jair Bolsonaro (PL) no poder após a derrota nas eleições de 2022.
O agente esteve envolvido em um plano que previa o sequestro e o assassinato do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), atendendo à determinação do STF de perda do cargo público para todos os condenados. Além de Soares, integravam o "núcleo 3" militares da força especial conhecida como "kids pretos".
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que o "núcleo 3" foi responsável pelas "ações mais severas e violentas" da organização criminosa, incluindo o plano para assassinar autoridades.
No celular de Wladimir Matos Soares, investigadores encontraram mensagens que indicavam um plano para "matar meio mundo" a fim de garantir a permanência de Bolsonaro no poder.
Segundo o ministro Alexandre de Moraes, os militares também planejavam pressionar o Alto Comando do Exército para que aderisse ao golpe. Trocas de mensagens e outras provas reunidas durante a investigação mostram que os "kids pretos" organizaram uma reunião em novembro de 2022 para tratar de uma carta destinada aos generais, documento que buscava pressionar a cúpula do Exército a romper com a ordem constitucional.
Veja as penas dos condenados:
Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel): 24 anos;
Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel): 21 anos;
Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel): 21 anos;
Wladimir Matos Soares (agente da PF): 21 anos;
Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel): 17 anos;
Bernardo Romão Correa Netto (coronel): 17 anos;
Fabrício Moreira de Bastos (coronel): 16 anos.
Soares está detido desde novembro de 2024 no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. Durante o interrogatório, o agente negou as acusações e afirmou ser admirador de Moraes.