DIREITOS HUMANOS

Silvio Almeida se pronuncia após denúncia da PGR e afirma inocência

Ex-ministro dos Direitos Humanos diz ser vítima de injustiça e nega acusações de importunação sexual contra Anielle Franco.

Publicado em 01/04/2026 às 15:35
Silvio Almeida

O ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, pronunciou-se publicamente pela primeira vez desde que foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

Em vídeo publicado no Instagram na terça-feira, 31, Almeida declarou: “Eu sou um homem inocente”. Ele explicou que silêncio até o momento "por responsabilidade, por respeito à dor da minha família, por respeito à lei, uma vez que a investigação corre em sigilo e eu respeito isso".

O ex-ministro afirmou que pretende se manifestar sobre o caso no âmbito judicial, onde, segundo ele, poderá apresentar sua defesa de forma plenária. “Durante o inquérito, na prática, eu não pude me defender”, disse Almeida.

Ele também criticou o que classificou como tentativa de desmoralização: "Há quem não tenha nenhuma realização para mostrar, nenhuma proposta para oferecer, e que, por isso, chega ao ponto de incriminar uma pessoa inocente apenas para eliminar aquela que considera um adversário ou para erguer, sobre uma mentira, uma bandeira eleitoral".

Silvio Almeida relatou ter sido afastado da vida pública de maneira "violenta e injusta", alegando ter sido demitido "em 24 horas e sem direito à defesa", antes de qualquer investigação formal e com base em uma nota "sem nenhum qualificado jornalístico e totalmente irresponsável".

“Eu passei a ser tratado como um assediador apenas depois que as acusações foram lançadas ao público de forma completamente irresponsável. Eu sou inocente e não vou me curvar a nenhum tipo de injustiça”, concluiu.

Em novembro passado, Almeida foi indiciado pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de importunação sexual contra Anielle Franco e a professora Isabel Rodrigues.

Anielle relatou ter sofrido "atitudes inconvenientes" por parte do ex-ministro, incluindo toques inapropriados e convites impertinentes, mas afirmou não ter relatado os episódios por "medo do descrédito e dos julgamentos". O processo tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça.

Silvio Almeida foi exonerado do Ministério dos Direitos Humanos em setembro de 2024, após denúncias de assédio sexual encaminhadas à organização Me Too. No início de 2025, durante as investigações, ele prestou depoimento à PF por mais de duas horas.

No comunicado oficial da demissão, o governo federal informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou "inssustentável" a permanência do ministro diante das acusações. O caso também está sob análise da Comissão de Ética Pública da Presidência, em procedimento sigiloso por envolver agente público.