REFORMA MINISTERIAL

Márcio França deixa governo e número 2 do MDIC assume ministério

Márcio Elias Rosa, ex-secretário-executivo, é nomeado novo ministro após saída de França, que foca em eleição em SP.

Publicado em 03/04/2026 às 17:55
Márcio França Geraldo Magela/Agência Senado

Com a saída de Márcio França (PSB) do governo Lula, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) passa a ser comandado por Márcio Elias Rosa. A nomeação foi publicada na tarde desta sexta-feira, 3, após França decidir não assumir nenhuma pasta, apesar de ser cotado para substituir Geraldo Alckmin (PSB), que acumulava o ministério com a Vice-Presidência.

Márcio Elias Rosa era secretário-executivo do MDIC desde 2023 e tem experiência na administração pública, tendo atuado como secretário de Justiça de São Paulo entre 2016 e 2018, durante o governo Alckmin. A escolha por nomes já integrados às pastas segue a orientação do presidente Lula de priorizar os "número 2" na reforma ministerial, realizada em ano eleitoral.

Além disso, Francisco Tadeu Barbosa de Alencar, até então secretário-executivo do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, foi nomeado ministro da pasta na mesma edição extra do Diário Oficial da União publicada nesta sexta-feira.

Na quinta-feira, 2, França foi exonerado do Ministério do Empreendedorismo e anunciou que irá se dedicar à disputa eleitoral em São Paulo. Ele busca se lançar ao Senado ou, eventualmente, compor como vice na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo estadual. Segundo França, a decisão foi tomada após reunião com o presidente Lula, na tarde da mesma quinta.

Ex-governador de São Paulo, França assumiu o Ministério do Empreendedorismo em setembro de 2023 como representante do PSB. Antes, liderava o Ministério de Portos e Aeroportos, mas foi substituído por Silvio Costa Filho (Republicanos), em movimento para ampliar o espaço do Centrão no governo. O Ministério do Empreendedorismo foi criado especialmente para acomodar França, com a lei que instituiu a pasta sancionada em 2024, após aprovação de medida provisória.

De acordo com a Broadcast, do Grupo Estado, 16 ministros de Estado foram exonerados nesta semana por planejarem disputar as eleições de outubro. A legislação eleitoral exige que ocupantes de cargos públicos deixem suas funções seis meses antes do pleito, prazo que se encerra neste sábado, 4 de abril.

França ainda busca espaço nas eleições

A prioridade de França é apoiar Haddad em eventual segundo turno para o governo paulista, mas ele também cogita disputar o Senado, mesmo com o PSB tendo a ex-ministra Simone Tebet como pré-candidata, com apoio do presidente Lula. Tebet, recém-filiada ao PSB após longa trajetória no MDB, conta com respaldo do Planalto.

No entanto, os planos de França divergem dos de Lula, que deseja fortalecer o palanque em São Paulo e ampliar a base aliada no Senado. O presidente defende Haddad como candidato ao governo e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, como nome para o Senado. Marina, que está de saída da Rede, negocia filiação ao PT.

Por outro lado, França descarta candidatura à Câmara dos Deputados. Aliados destacam sua liderança no Estado, com influência tanto no interior quanto no centro, e potencial para atrair eleitores do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos).