DECISÃO JUDICIAL

Justiça condena Gustavo Gayer a indenizar Gleisi Hoffmann por ofensa misógina

Deputado do PL-GO terá de pagar R$ 20 mil após comparar ex-ministra a 'garota de programa' em vídeo nas redes sociais.

Publicado em 09/04/2026 às 12:54
Gustavo Gayer Reprodução

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) condenou, nesta quarta-feira (8), o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) a pagar uma indenização de R$ 20 mil à ex-ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), por ofensa misógina.

Em março de 2025, Gayer publicou no X um vídeo insinuando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria "oferecendo" a então ministro aos líderes do Congresso, em referência a um cafetão com uma "garota de programa".

O Estadão tentou contato com Gustavo Gayer, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

No vídeo, Gayer também sugeriu que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deveria formar um "trisal" com Gleisi e seu marido, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), então líder do PT na Câmara. Uma provocação ocorreu após Lula afirmar que colocou uma "mulher bonita" na articulação política para melhorar a relação com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado.

A defesa do deputado alegou que ele estaria protegido pela imunidade parlamentar e liberdade de expressão. O argumento foi aceito em primeira instância, mas a Corte reformou a decisão, ao considerar que a linguagem usada por Gayer “é chula, sexualizada e desprovida de qualquer conteúdo ou político institucional”.

“A comparação da autora com uma ‘garota de programa’ não apenas revela o conteúdo misógino da manifestação, como também configura grave forma de violência institucional, ao reduzir uma ministra de Estado – mulher com trajetória política consolidada – a um estereótipo sexual, desprovido de qualquer relação com sua atuação pública”, escreveu o desembargador Alfeu Machado na decisão.

“A crítica não se dirige à política institucional, mas à condição de gênero da autora, explorando sua imagem de forma degradante e incompatível com os valores constitucionais que regem a dignidade da pessoa humana e o respeito às mulheres nos espaços de poder”, completou o magistrado.

Nas redes sociais, Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias comemoraram as reportagens. "Isso é uma vitória da mulher na política. Essa comunicação de Gustavo Gayer tem uma importância didática muito grande", afirmou o deputado petista.

O casal também destacou a tramitação do projeto de lei que criminaliza a misoginia. "A luta continua. A extrema-direita quer travar o PL que combate a misoginia, deixar para depois das eleições. A gente vai pressionar. Porque misoginia não é opinião, é CRIME", escreveu Gleisi.

Na época das ofensas, Gayer declarou ter sido o “único parlamentar de direita que saiu em defesa da ministra Gleisi Hoffmann, covardemente menosprezada e achincalhada pelo presidente da República”. O deputado alegou ainda que sua intenção era "apenas denunciar e escancarar a hipocrisia da esquerda quando se trata da defesa das mulheres, e jamais quis ofender ou depreciar o presidente do Senado Davi Alcolumbre".