DECISÃO JUDICIAL

Mendonça nega compartilhamento de dados sobre morte de 'Sicário' à CPI do Crime Organizado

Ministro do STF alega que divulgação de informações pode comprometer investigações em andamento sobre Banco Master e morte de Mourão.

Publicado em 09/04/2026 às 18:45
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) © flickr.com / Fellipe Sampaio/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta terça-feira, 7, dois pedidos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado para o compartilhamento de informações relativas às investigações sobre o Banco Master e a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como 'Sicário' de Daniel Vorcaro.

Mendonça justificou que as informações colhidas pela Operação Compliance Zero e as apurações sobre as fraudes no Banco Master, sob sua relatoria, ainda estão em andamento, com diligências pendentes.

Segundo o ministro, a divulgação desses dados neste estágio poderia prejudicar as investigações. No entanto, Mendonça sinalizou que poderá reavaliar o pedido futuramente, após a conclusão da fase de apuração.

Os dois requerimentos para compartilhamento de dados foram apresentados pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e aprovados pela CPI em 11 de março. O senador argumentou que a solicitação visa "compreender se o falecimento de Felipe Mourão evidencia comportamento típico de integrante de verdadeira organização mafiosa".

De acordo com o requerimento, a CPI pretendia investigar se o caso apontava para um padrão de organização criminosa em que a morte é preferida à condenação ou colaboração com as autoridades, além de analisar como evitar esse tipo de conduta em estabelecimentos policiais e prisionais, que têm o dever de zelar pela integridade física e mental dos custodiados.

O 'Sicário' foi preso pela Polícia Federal em 4 de março e tentou suicídio no mesmo dia, enquanto estava sob custódia em Minas Gerais. Ele foi levado ao hospital, mas não resistiu. O episódio foi registrado por câmeras de segurança "sem pontos cegos", segundo as autoridades. A morte foi confirmada oficialmente em 6 de março e registrada em cartório. O velório ocorreu em 8 de março.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão era considerado um dos homens de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro e recebeu o apelido de 'Sicário' devido às atividades que desempenhava para o dono do Banco Master, segundo a própria Polícia Federal.

Mourão seria responsável por obter informações sigilosas, monitorar adversários e neutralizar situações sensíveis aos interesses do banqueiro. De acordo com a PF, ele não chegou a cometer assassinatos, mas liderava o núcleo de intimidação e obstrução à Justiça, conhecido como "A Turma" em um grupo de WhatsApp encontrado no celular de Vorcaro. Mourão é acusado de acessar indevidamente sistemas da Polícia Federal, Ministério Público Federal (MPF), FBI e Interpol para obter dados sigilosos.