ELEIÇÕES 2026

Leite sinaliza apoio a Caiado, mas rejeita anistia ampla ao 8 de Janeiro

Governador gaúcho condiciona engajamento a compromissos com democracia, responsabilidade fiscal e moderação. Divergência sobre anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro marca encontro.

Publicado em 09/04/2026 às 20:12
Eduardo Leite Elio Rizzo / Câmara dos Deputados

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), reuniu-se nesta quinta-feira (9) com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência pelo partido. Em relato nas redes sociais, Leite pediu desculpas ao correligionário por não tê-lo parabenizado pela indicação e entregou uma carta aberta com condições para uma possível aproximação.

Leite, que havia sido preterido pelo PSD para disputar o Planalto em 2026, afirmou após o anúncio de Caiado que seu apoio dependeria das propostas defendidas pelo goiano. "Continuo discordando da leitura de cenário feita pelo partido, mas isso em nada diminui o nome ou a biografia de Caiado", escreveu.

Apesar das ressalvas, Leite declarou disposição para apoiar a campanha do correligionário. "Estou pronto para ajudá-lo no que estiver ao meu alcance para que possamos oferecer uma alternativa viável e real contra a polarização", afirmou em publicação.

Na carta, Leite deixou claro que o engajamento depende de gestos concretos de Caiado: "Se esses caminhos forem trilhados com clareza e consistência, será natural que muitos de nós possamos nos sentir representados e, a partir disso, engajados em um projeto comum para o País", destacou.

A indicação de Caiado ocorreu no mês passado, após o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), desistir da corrida presidencial e optar por permanecer no cargo. Com a saída de Ratinho, o partido escolheu Caiado em vez de Leite para liderar o projeto nacional da legenda.

Na carta, Leite elenca condições que, segundo ele, qualquer candidatura do centro deve cumprir: respeito às instituições e à democracia "sem ambiguidades"; responsabilidade fiscal com coragem para reformas; políticas sociais efetivas para reduzir a desigualdade; governabilidade com integridade e disposição de "dialogar com diferentes, sem alimentar conflitos".

O governador gaúcho também cobra "gestos concretos" de abertura e moderação, seja na formação de equipes, no discurso ou na prática política.

Um dos principais pontos de divergência é a proposta de anistia ampla aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, sugerida como uma das primeiras medidas de um eventual governo Caiado. Leite afirma que "a pacificação nacional não será alcançada" por esse caminho e que a medida "tende a interromper o diálogo com uma parcela significativa da população".

O governador defende que eventuais excessos nas penas sejam corrigidos por vias institucionais, como o aperfeiçoamento da dosimetria das condenações, tema já em debate no Congresso Nacional.