POLÍTICA

Quem é Alexandre Ramagem, delegado da PF e ex-deputado federal preso pelo ICE nos EUA

Ex-diretor da Abin, aliado de Bolsonaro, foi detido nos EUA após ser condenado por participação em trama golpista; extradição foi solicitada pelo governo brasileiro.

Publicado em 13/04/2026 às 15:07
Alexandre Ramagem Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Alexandre Ramagem , ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi detido nesta segunda-feira, 13, nos Estados Unidos, pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), conforme informou a Polícia Federal brasileira.

Delegado da Polícia Federal e político, Ramagem deixou o Brasil mesmo sendo condenado a 16 anos e 1 mês de prisão por envolvimento em uma trama golpista, além de ser proibido de sair do País.

No fim de janeiro, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o pedido de extradição do ex-deputado foi encaminhado ao governo dos EUA em 30 de dezembro de 2025.

O mandato de Ramagem foi cassado em 18 de dezembro do ano passado, na mesma data em que a Câmara dos Deputados também declarou a perda do mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na ocasião, pelas redes sociais, Ramagem classificou a decisão como uma “canetada” e acusou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de agir como “subordinado de um ministro ditador”, referindo-se a Alexandre de Moraes.

Ex-diretor da Abin e aliado de Bolsonaro

Alexandre Ramagem Rodrigues é ex-delegado da Polícia Federal e aliado histórico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A proximidade se fortaleceu durante a campanha de 2018, quando Ramagem foi nomeado para chefiar a segurança pessoal de Bolsonaro após o então candidato ser esfaqueado em Juiz de Fora (MG).

No início de 2019, já no governo Bolsonaro, Ramagem foi nomeado superintendente da PF no Ceará, função que deixou para ingressar na política. Atuou como assessor no Palácio do Planalto e, em junho daquele ano, assumiu a chefia da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Durante a posse, Bolsonaro destacou a relação próxima, afirmando que “grande parte do destino da nação” estaria nas mãos de Ramagem. Em 2022, foi eleito deputado federal com 59.170 votos.

Em outubro de 2023, Ramagem foi alvo de uma operação da PF em seu gabinete e apartamento funcional. A investigação apurou o uso indevido da Abin para monitorar ministros do STF, políticos, jornalistas e advogados, por meio da ferramenta FirstMile. Segundo a PF, a agência teria realizado 33 mil rastreamentos ilegais, incluindo o monitoramento de Alexandre de Moraes.

A operação “Vigilância Aproximada”, desdobramento da “Primeira Milha”, cumpriu 21 mandatos de busca e prendeu dois servidores da Abin. Nas redes sociais, Ramagem investiu na investigação a uma suposta "austeridade" renovada na gestão Bolsonaro.

Condenação por trama golpista e recursos ao STF

Ramagem foi condenado pelo STF pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, recebendo pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias em regime fechado, além da perda do mandato.

O Supremo suspendeu a análise de crimes cometidos ao 8 de janeiro, como dano qualificado ao patrimônio da União, por terem ocorrido após sua diplomação como deputado.

A defesa buscou reduzir a pena, alegando participação de “menor importância” na trama golpista, e solicitou a suspensão das notificações por organização criminosa, argumentando que o crime teria natureza permanente e continuado após sua diplomação. Os advogados também alegaram que o STF foi omisso ao aplicar automaticamente a perda do cargo de delegado da PF.