Conselho de Ética julga conduta de Marcos Pollon por motim e ofensas a Hugo Motta
Deputado pode ser suspenso por até 90 dias por obstrução dos trabalhos e insultos ao presidente da Câmara
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados analisa nesta terça-feira, 14, dois pareceres referentes às representações contra o deputado Marcos Pollon (PL-MS) por conduta incompatível com o decoro parlamentar.
Pollon foi o último a deixar o motivo que paralisou os trabalhos da Câmara após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em agosto do ano passado. Além disso, o parlamentar chamou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de “bosta” e “baixinho” de um metrô e sessenta, durante discurso no Mato Grosso do Sul. Ambas as condutas serão avaliadas pelo Conselho.
O primeiro parecer, relatado por Moses Rodrigues (União-CE), recomenda a suspensão do mandato de Pollon por 30 dias devido à obstrução dos trabalhos da Câmara. O segundo, sob relatoria de Ricardo Maia (MDB-BA), sugere suspensão de 90 dias pelas ofensas dirigidas a Hugo Motta.
Os episódios ocorreram em agosto de 2025, após notícias de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Após a sentença, parlamentares bolsonaristas ocuparam as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, impedindo o funcionamento do plenário.
Pollon participou do motim e foi o último oposicionista a ceder a cadeira para que Hugo Motta pudesse iniciar a sessão. Os trabalhos ficaram paralisados por mais de 30 horas. À época, Pollon alegou em suas redes sociais ser autista e, por isso, não compreendeu o que ocorria no momento em que o presidente tentava retomar a condução da sessão.
Segundo o processo instaurado na Câmara, “o ato, com uso da força física, representou interferência direta na autoridade da Presidência da Casa e no funcionamento legítimo dos trabalhos parlamentares”.
O segundo episódio ocorreu em 3 de agosto, durante um discurso inflamado em defesa de Bolsonaro, no Mato Grosso do Sul. Na ocasião, Pollon proferiu ofensas contra Hugo Motta.
No pronunciamento, Pollon afirmou não temer por sua carreira política: "Eu não vou recuar, e a carga que se lasque. Vim aqui para denunciar aqueles que entregaram o PL para a porcaria do PSDB. Canalhas", disse. “'Pollon, você acabou de entregar sua cadeira política' — foda-se, eu não vou entregar o meu País” , concluiu.
"A anistia está na conta da p... do Hugo Motta. Queremos colocar o povo para enfrentar o Alexandre de Moraes, mas não podemos peitar o bosta do Hugo Motta, um baixinho de 1,60m" , declarou Pollon na ocasião.
A representação contra o deputado destacou que as ofensas, "ainda que fora das dependências da Casa Legislativa, revelam-se incompatíveis com os deveres éticos e funcionais inerentes ao exercício do mandato".
O deputado Marcos Pollon foi procurado, mas ainda não se manifestou.