AUDIÊNCIA PÚBLICA

Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos apresenta avanços e reforça pedido por mais recursos

Entidade destaca crescimento do paradesporto, aponta desigualdades regionais e defende revisão na distribuição de verbas

Publicado em 16/04/2026 às 18:21
Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos apresenta resultados e cobra mais recursos durante audiência na Câmara. Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Entidades e atletas reforçaram a importância do apoio financeiro como fator essencial para a inclusão social e o desempenho de alto rendimento no paradesporto. O tema foi debatido em audiência pública na Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, realizada na última quarta-feira (15).

Durante a reunião, o Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos apresentou um panorama da evolução da entidade, que ampliou o número de clubes filiados de 11 para 211 desde 2020. O presidente do comitê, João Batista Carvalho e Silva, destacou que, em 2025, foram captados R$ 20 milhões para apoiar quase 4 mil paratletas. Apenas no primeiro semestre deste ano, 1.779 paratletas já foram atendidos.

Carvalho e Silva ressaltou ainda que o comitê possibilita que clubes de menor porte, com dificuldades de gestão, tenham acesso a orientação e recursos.

Desigualdade regional

Apesar do crescimento, o comitê alertou para a concentração de clubes no Sudeste, que reúne 41% das entidades, enquanto a região Norte conta com apenas 7% dos clubes filiados.

Representantes de atletas e clubes afirmaram que o suporte do comitê diminuiu a necessidade de arrecadações informais para participação em competições. Entretanto, atletas com maior grau de deficiência reivindicaram a revisão dos critérios de programas como o Bolsa Atleta.

Também foram registradas críticas à retirada de provas dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, medida que teria deixado cerca de 300 atletas sem apoio.

O deputado Saulo Pedroso (PSD-SP), autor do requerimento para o debate, defendeu que o Legislativo deve fortalecer o esporte como ferramenta de transformação social. “O esporte pode ser mais eficaz que ações na área de segurança pública e traz benefícios para a saúde e a economia”, afirmou.

A ex-deputada Rosinha da Adefal, ex-paratleta de natação e integrante do comitê, ressaltou que o aumento da demanda exige revisão na distribuição de recursos provenientes de loterias e apostas. “Para ter resultados, não basta treinar. É preciso estrutura acessível, equipamentos e profissionais qualificados”, pontuou.

Governo federal

O secretário nacional do Paradesporto do Ministério do Esporte, Fábio Araújo, destacou a parceria com o Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos e anunciou o programa Vencer pelo Esporte, que prevê a inclusão de atividades esportivas nos Centros Especializados em Reabilitação (CER) do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo Araújo, parlamentares poderão destinar até 50% das emendas de saúde para ações esportivas realizadas no âmbito do SUS.