Girão cobra reação do Senado diante de decisões do STF
Senador defende investigação e possível afastamento de ministros do Supremo por crime de responsabilidade e critica concentração de poder.
Em pronunciamento no Plenário nesta sexta-feira (17), o senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que o Senado enfrenta dificuldades para exercer suas prerrogativas e defendeu maior iniciativa da Casa diante das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar ressaltou que cabe ao Senado investigar e afastar ministros da Corte em casos de crime de responsabilidade, questionando a atuação institucional diante do que classificou como insegurança jurídica no país.
— Estamos aqui eleitos diretamente pelo povo para fazer leis, para fiscalizar o Executivo, e estamos encontrando dificuldades para fazer o nosso trabalho. O Brasil não era para estar passando por esse caos, por essa insegurança — disse.
O senador também mencionou a situação do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), alvo de críticas de ministros do STF após apresentar seu relatório na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. O texto não foi aprovado na votação final da CPI. O ministro do STF Gilmar Mendes solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de investigação contra Alessandro, sob a alegação de possível abuso de autoridade ao pedir o indiciamento de três ministros do STF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Girão avaliou que o episódio representa um ataque à imunidade parlamentar prevista na Constituição e criticou mudanças em regras relacionadas a pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Ele também citou decisões recentes e afirmou que há concentração de poder que compromete o equilíbrio entre os Poderes.
— É inaceitável que o Senado permaneça inerte e subserviente a tantos abusos cometidos por ministros da Suprema Corte. A resposta mínima, diante desses ataques, é a admissão do primeiro processo de impeachment de um ministro do STF, antes que seja tarde demais e se torne irreversível a ditadura da toga no Brasil — afirmou.