INVESTIGAÇÃO FEDERAL

Empresa de Marçal repassou R$ 4,4 milhões a MC Ryan, aponta Polícia Federal

Transação investigada envolve venda de helicóptero; defesa nega relação com aeronave e diz que valor refere-se a imóvel.

Publicado em 19/04/2026 às 07:42
Pablo Marçal Reprodução / Instagram

Uma empresa pertencente ao ex-candidato à Prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal (União Brasil), transferiu R$ 4,4 milhões para uma conta pessoal do MC Ryan. O funkeiro é acusado pela Polícia Federal (PF) de liderar um esquema de ocultação e lavagem de bens ligados ao tráfico internacional de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo as investigações, o valor teria sido depositado na conta do artista pela venda de um helicóptero Robinson R66 Turbine. À reportagem do Estadão, a assessoria de Marçal confirmou a transação, mas negou que o montante se refira à aeronave, afirmando que o pagamento corresponde à aquisição de parte de um imóvel pelo coach.

MC Ryan, apoiador da candidatura de Pablo Marçal à Prefeitura em 2024, foi alvo da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela PF na quarta-feira (15). Ele foi preso sob suspeita de liderar um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico internacional, utilizando rifas e apostas ilegais, além de atividades no ramo musical e de entretenimento.

Origem dos recursos

A defesa de Ryan declarou que todos os valores que transitam em suas contas “possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos”.

Na representação da PF que fundamentou a Operação Narco Fluxo, os investigadores destacam créditos da empresa R66 Air Ltda., responsável pelo envio dos R$ 4,4 milhões à pessoa física de MC Ryan. O quadro societário da companhia é composto por Pablo Marçal.

De acordo com a apuração, o capital social da empresa é compatível com o valor de mercado de um helicóptero Robinson R66 Turbine, o que levanta a hipótese de que a transação esteja relacionada à negociação da aeronave.

A rede de apostas e rifas ilegais utilizada para lavagem de dinheiro do tráfico estruturou, segundo a PF, “empresas de prateleira” e chegou a firmar contratos com fintechs investigadas nas operações Compliance Zero — que investiga o Banco Master — e Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de fraudes no INSS, lesando milhares de aposentados e pensionistas. Conforme a Polícia Federal, o esquema Narco Fluxo movimentou R$ 1,6 bilhão para o crime organizado e tinha como operador-chave o contador Rodrigo Morgado, preso desde outubro de 2025 sob suspeita de prestar assessoria financeira ao PCC.

A defesa de Morgado afirma que ele “é profissional da área contábil, atuando estritamente dentro dos limites legais de sua profissão, não tendo qualquer envolvimento com atividades ilícitas”. Durante a Operação Narco Fluxo, a PF cumpriu 45 mandados de busca e apreensão. Dos 39 mandados de prisão temporária expedidos, 33 foram executados.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.