Associação de delegados da PF rebate críticas de Lula sobre atuação de agentes
Entidade afirma que declarações do presidente desvalorizam profissionais e não contribuem para o debate sobre segurança pública.
A Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) reagiu nesta quinta-feira, 23, às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que questionou a atuação de membros da corporação.
De acordo com a entidade, as afirmações de Lula geram preocupação ao colocar em dúvida o comprometimento dos delegados da Polícia Federal e ao simplificar de forma privada o debate sobre segurança pública e o combate ao crime organizado.
O presidente Lula afirmou que solicitou ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, uma convocação de delegados atualmente afastados da corporação para fortalecer o combate ao crime organizado. Segundo ele, apenas agentes que estivessem "fingindo trabalhar" ficariam de fora da convocação.
No comunicado, a ADPF informa que, atualmente, 53 delegados foram cedidos a outros órgãos, o que representa menos de 3% do total em atividade. Para a associação, esse número não justifica a avaliação feita pelo presidente, tampouco sustenta a expectativa de impacto relevante no combate ao crime.
A entidade destaca que o enfrentamento ao crime organizado exige “menos propaganda e mais ações concretas”, como investimentos em capacitação profissional e inteligência estratégica. “Declarações que desqualificam policiais não externos para esse objetivo e fragilizam o debate público sobre segurança”, ressalta a nota.
A associação também chama atenção para a redução no ingresso de novos delegados e a perda de talentos na corporação: “Enquanto 104 novos delegados ingressaram na instituição nos últimos três anos, 50 optaram por deixar a PF para assumir outras cargas.
O combate ao crime organizado é considerado estratégico para o governo, especialmente pelo impacto nas eleições de outubro. Pesquisas indicam que a segurança pública deve ser uma das principais pautas do pleito.
Na quarta-feira, 22, Lula emitiu decreto convocando mil novos agentes para fortalecer o enfrentamento às organizações criminosas. O presidente destacou que, pela primeira vez, todas as cargas da Polícia Federal serão ocupadas por servidores.
"Eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vão ficar fora daqueles que são os primeiros secretários de Estado. Aqueles agentes ou delegados que estão aí, em outro lugar, fingindo que estão trabalhando e não estão trabalhando, todos vão ter que voltar, porque nós derrotamos vamos o crime organizado", afirmou Lula.