CRISE POLÍTICA NO RIO DE JANEIRO

Zanin mantém desembargador como governador interino do Rio

Ministro do STF reforça permanência de Ricardo Couto no comando do Executivo estadual até definição sobre novas eleições

Publicado em 24/04/2026 às 15:47
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF) Reprodução / Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, decidiu nesta sexta-feira (24) que o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, seguirá como governador interino do Estado até a conclusão do julgamento sobre as eleições para o Executivo fluminense na Corte.

Na liminar, Zanin destacou que a eleição do deputado estadual Douglas Ruas (PL) como presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), próximo na linha sucessória, não modifica a decisão do STF de manter Couto à frente do governo.

A decisão foi tomada após o diretório nacional do Partido Social Democrático (PSD) contestar o pedido da Alerj para que Ruas assumisse interinamente o Palácio Guanabara.

Douglas Ruas foi eleito presidente da Alerj na semana passada. Na quinta-feira (23), a Mesa Diretora da Casa solicitou ao Supremo que o deputado assumisse o comando do Executivo estadual até a escolha de um novo governador.

Em sua decisão, Zanin afirmou que a eleição de Ruas "não tem o condão de modificar" o entendimento fixado pelo Supremo em 9 de abril, quando foi determinado que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio deveria permanecer no exercício do cargo de governador "até nova deliberação".

O STF julga neste momento se a escolha do próximo governador do Rio será realizada por eleição direta, com voto popular, ou indireta, pela Assembleia Legislativa. Até agora, o placar está em 4 a 1 a favor da eleição indireta. A análise foi interrompida em 9 de abril após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que aguarda a publicação do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o caso.

O documento do TSE, publicado na quinta-feira (23), reconheceu que a vacância do cargo ocorreu por renúncia, e não por cassação.

Em março, Cláudio Castro foi cassado pelo TSE por abuso de poder político e econômico, mas renunciou um dia antes da conclusão do julgamento, o que gerou um impasse sobre a sucessão no governo.

A situação se agravou porque o vice-governador, Thiago Pampolha, deixou o cargo para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, e o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de vazar informações sigilosas de operações contra o crime organizado.