É tudo ou nada: ofensiva do PL contra Rodrigo Cunha pode abrir caminho para uma terceira via em Alagoas
Críticas iniciadas por Fábio Costa e reforçadas por Leonardo Dias colocaram em xeque autonomia do prefeito Rodrigo Cunha e miram influência direta de JHC na gestão de Maceió
A ofensiva política do Partido Liberal (PL) contra o prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha, deixou de ser um movimento isolado e passou a configurar uma estratégia com potencial de impacto no cenário eleitoral de Alagoas. Iniciada dias atrás pelo deputado federal Fábio Costa e intensificada ontem pelo vereador Leonardo Dias, a escalada de críticas expõe fissuras na base política da capital e já alimenta discussões sobre o surgimento de uma possível terceira via no Estado.
O primeiro movimento partiu de Fábio Costa, que, em declarações públicas recentes, levantou questionamentos sobre decisões administrativas da Prefeitura de Maceió e a condução da gestão municipal. Sem citar diretamente uma ruptura institucional, o deputado deixou clara a percepção de que há fragilidade na autonomia do prefeito, sugerindo que o comando político da capital não estaria plenamente concentrado em Rodrigo Cunha.
A fala repercutiu nos bastidores e abriu espaço para um discurso mais contundente no âmbito local.
Foi o que ocorreu ontem, quando o vereador por Maceió, Leonardo Dias, subiu o tom e levou à tribuna uma crítica direta ao que classificou como “loteamento político” da Prefeitura. Segundo ele, cargos estratégicos da administração municipal estariam sendo distribuídos para atender interesses políticos ligados ao ex-prefeito João Henrique Caldas, apontado como figura central nas decisões da atual gestão.
De acordo com o vereador, o modelo em curso não representa uma administração autônoma, mas sim a continuidade de um grupo político que permanece exercendo influência direta sobre a máquina pública.
“Existe um comando fora do gabinete. As decisões não partem exclusivamente do prefeito. O que vemos é uma estrutura política sendo mantida e operada nos bastidores”, afirmou Leonardo Dias.
A narrativa construída por integrantes do PL reforça uma tese que já vinha sendo abordada em análises anteriores: a de que Rodrigo Cunha, alçado ao comando da Prefeitura após a saída de JHC, seria seu pupilo político e não estaria exercendo, na prática, o controle pleno da gestão.
Nos bastidores, essa leitura é ainda mais dura. Interlocutores do partido avaliam que o prefeito atua como peça de continuidade de um projeto político maior, com decisões estratégicas sendo influenciadas diretamente pelo ex-prefeito — o que, na prática, configuraria uma espécie de tutela política sobre a administração municipal.
A ausência de respostas firmes por parte da Prefeitura tem contribuído para ampliar o espaço das críticas. Até o momento, não houve manifestação oficial rebatendo diretamente as acusações feitas tanto pelo deputado federal quanto pelo vereador.
O movimento do PL, no entanto, vai além do embate local. Ao mirar simultaneamente Rodrigo Cunha e a influência de JHC, o partido ensaia uma construção narrativa que pode ter desdobramentos no cenário eleitoral de 2026.
A estratégia passa por fragilizar a imagem de independência do atual prefeito e, ao mesmo tempo, atingir o capital político de JHC - pré-candidato ao governo. Nesse contexto, a ofensiva pode abrir espaço para a consolidação de uma terceira via, capaz de se posicionar como alternativa tanto ao grupo dominante quanto às forças tradicionais já estabelecidas.
O cenário ainda está em formação, mas os movimentos recentes indicam que a disputa política em Alagoas começa a ganhar novos contornos - e que Maceió, mais uma vez, se torna o epicentro de uma batalha que pode redefinir os rumos do poder no Estado.