POLÍTICA E ECONOMIA

Após críticas de Lula, Caiado afirma que presidente 'vende o Brasil' em debate sobre terras raras

Ex-governador de Goiás rebate declaração de Lula sobre acordo com EUA e defende parceria para agregar valor aos minerais extraídos no estado.

Publicado em 24/04/2026 às 19:41
Ronaldo Caiado Reprodução / Instagram

Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticar o acordo entre Goiás e representantes do governo dos Estados Unidos para exploração de minerais críticos e terras raras, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) respondeu nesta quinta-feira, 23, afirmando que o petista é quem está "vendendo o Brasil".

"Quem tá vendendo é ele! É ele que está entregando tudo, ele não está desenvolvendo nenhuma tecnologia no Brasil e nós estamos continuando a vender Pau Brasil desde a época da colônia, vendendo nióbio e terras raras pesadas", declarou Caiado durante conversa com jornalistas após agenda em Minas Gerais.

No início de abril, em entrevista ao ICL, Lula havia afirmado que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Caiado, ambos pré-candidatos à Presidência, estariam entregando o Brasil aos Estados Unidos.

"Flávio quer vender para os EUA uma coisa tão importante quanto petróleo", disse Lula. "É uma vergonha, inclusive, o que o Caiado fez em Goiás. O Caiado fez um acordo com uma empresa americana, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União."

Nesta quinta, Caiado explicou os termos do acordo firmado entre Goiás e o governo norte-americano: "Ao invés de exportar apenas o mineral concentrado, eu vou poder, em Goiás, desenvolver a tecnologia capaz de separar os minerais", afirmou o ex-governador.

"Se eu, amanhã, tiver uma tonelada de terras pesadas, o valor é mínimo. Se eu puder vender amanhã 20g de térbio, ou de disprósio, eu vou enriquecer o meu estado, vou trazer tecnologias, vou aumentar renda, vou ampliar com isso", acrescentou.

Goiás abriga a Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil, que atualmente exporta toda sua produção para a China. Em fevereiro, a empresa recebeu um aporte de US$ 565 milhões do governo americano para extração de terras raras leves e pesadas.

O acordo foi oficializado em 18 de março deste ano. Em nota, o governo de Goiás informou que a "celebração do memorando está plenamente respaldada nas competências constitucionais do Estado".

Conforme apuração do Estadão, integrantes do governo federal consideram o memorando de entendimentos inconstitucional e até inócuo, além de favorecer empresas americanas, especialmente no controle e guarda dos dados de eventuais pesquisas do subsolo e mapeamento dos minerais críticos existentes no país.

Esses minerais são essenciais para a fabricação de motores elétricos eficientes, turbinas de energia eólica, telas de TV, ímãs de discos rígidos de computadores, sistemas de áudio e circuitos eletrônicos de celulares, entre outras aplicações.