Entre crises e liminares: pastor João Luiz recua de renúncia e mantém cadeira na Câmara
Parlamentar alega falta de estrutura no gabinete, enquanto o Partido Progressista aciona a Justiça para retomar a vaga ocupada por suplente filiado ao PSDB
reviravolta inesperada, o vereador Pastor João Luiz (PSDB) anunciou, nesta terça-feira, a decisão de permanecer no exercício do mandato. O recuo ocorre após o parlamentar ter tornado pública sua intenção de renunciar, alegando abandono institucional e falta de condições básicas de trabalho dentro da Casa Legislativa.
A permanência do vereador, no entanto, acontece sob o fogo cruzado de uma disputa partidária. O Partido Progressista (PP) confirmou que ingressará na Justiça Eleitoral para reivindicar a titularidade da cadeira, atualmente ocupada pelo pastor em decorrência da licença do titular, Thiago Prado (PP), que assumiu a Secretaria Municipal de Segurança Cidadã.
"Gabinete Fantasma" e Indignação
O estopim para a crise parlamentar foi a precariedade estrutural relatada por João Luiz ao assumir o posto. Segundo o parlamentar, a Câmara não ofereceu gabinete, autorização para nomeação de assessores ou ferramentas mínimas para a atividade parlamentar.
"Não houve estrutura mínima para o exercício do mandato. Fui ignorado em minhas necessidades básicas de trabalho", desabafou o vereador, que chegou a publicar um vídeo de indignação nas redes sociais na última sexta-feira (25).
A situação só foi contornada após uma negociação que permitiu a contratação de quatro assessores. Agora, com a equipe formada, o vereador afirma estar "preparado para continuar" e focar em projetos de infraestrutura urbana.
A Guerra pela Cadeira
Enquanto o Pastor João Luiz busca se estabilizar no cargo, o PP move suas peças jurídicas. Representado pelo advogado Fábio Gomes, o partido sustenta que a vaga pertence à legenda e deve ser ocupada por um suplente que ainda integre seus quadros. João Luiz, embora tenha sido eleito como suplente pelo PP, migrou posteriormente para o PSDB.
Entenda a linha de sucessão da vaga:
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Ordem |
Nome |
Partido Atual |
Status |
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Titular |
Thiago Prado |
PP |
Licenciado (Secretaria) |
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1º Suplente |
João Catunda |
PSDB |
Deixou o cargo |
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2º Suplente |
Pastor João Luiz |
PSDB |
Em exercício |
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3º Suplente |
Ronaldo Luz |
- |
Próximo na lista |
Resposta da Presidência
O presidente da Câmara, Chico Filho (PSDB), defendeu a legalidade das convocações realizadas até o momento. Segundo ele, a Casa se baseia estritamente na lista oficial fornecida pela Justiça Eleitoral, sem entrar no mérito de questões de fidelidade partidária, que devem ser discutidas no âmbito judicial.
"Seguimos o parecer jurídico. O Pastor João Luiz não formalizou a renúncia por escrito e segue em plenário. Caso ele saísse, o próximo convocado seria o médico Ronaldo Luz", explicou o presidente, tentando dissipar os rumores de vacância no Legislativo.