PODER E POLÍTICA

Derrota histórica: Senado rejeita indicado de Lula ao STF pela primeira vez desde 1894

Indicação do presidente foi barrada por 42 votos a 34; Alfredo Gaspar comemorou no plenário da Câmara e disse que, com a derrota, “o governo Lula acabou”

Por Redação Publicado em 29/04/2026 às 19:30
O deputado Alfredo Gaspar

O Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O nome, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi barrado por 42 votos contrários e 34 favoráveis, em uma das derrotas políticas mais duras impostas ao governo no Congresso Nacional.

Para ser aprovado, o indicado ao STF precisava receber ao menos 41 votos favoráveis, maioria absoluta dos 81 senadores. Messias, no entanto, ficou distante desse patamar e teve sua indicação rejeitada pelo plenário do Senado. A votação foi registrada pela Agência Senado na análise da Mensagem nº 7 de 2026, que tratava da escolha do nome para a Suprema Corte.

A derrota foi imediatamente explorada pela oposição. No plenário da Câmara dos Deputados, o deputado federal alagoano Alfredo Gaspar de Mendonça, do PL, anunciou o resultado em tom de comemoração e classificou o episódio como uma derrota definitiva para Lula.

Segundo Gaspar, a rejeição do nome indicado pelo presidente ao Supremo representa um abalo profundo na capacidade de articulação política do governo. O parlamentar afirmou que, com a derrota, “o governo Lula acabou”.

A declaração tem claro peso político e deve ser entendida como avaliação da oposição. Do ponto de vista institucional, o fato concreto é que o governo sofreu uma derrota rara, de grande impacto simbólico e político, em uma votação que tradicionalmente costuma ser conduzida com forte articulação entre o Palácio do Planalto e o Senado.

Rejeição não é inédita, mas é a primeira em mais de 130 anos


Embora aliados da oposição tenham tratado o episódio como inédito na história da República, a informação exige correção histórica. Não é a primeira vez que o Senado rejeita um nome indicado pelo presidente da República para o Supremo Tribunal Federal.

O precedente ocorreu em 1894, durante o governo do alagoano Floriano Peixoto, quando o Senado rejeitou cinco indicações para o Supremo. A própria Agência Senado registra esse episódio em material histórico sobre sabatinas e recusas de nomes para a Corte.

Portanto, a rejeição de Jorge Messias não é inédita na história republicana. O correto é dizer que se trata da primeira rejeição de um indicado ao STF desde 1894, ou seja, um fato raríssimo, sem repetição por mais de 130 anos.

A distinção é importante. O episódio não inaugura uma situação jamais vista na República, mas resgata um precedente praticamente esquecido da história política brasileira. Ainda assim, pela raridade, o resultado tem dimensão histórica.

Derrota pessoal e política para Lula


A rejeição de Jorge Messias representa uma derrota direta para Lula porque a escolha de ministros do Supremo é uma das prerrogativas mais relevantes da Presidência da República. Cabe ao presidente indicar o nome, mas a aprovação depende do Senado, após sabatina e votação secreta em plenário.

Messias era um nome de confiança do presidente. Sua indicação era vista como parte da estratégia de Lula para consolidar influência institucional no Supremo durante o atual mandato. A rejeição, portanto, expõe dificuldades de articulação do governo no Senado e fortalece o discurso da oposição de que o Palácio do Planalto perdeu capacidade de controle sobre sua base.

O resultado também deve aumentar a pressão sobre o governo na escolha de um novo nome. Depois de uma derrota desse porte, o Planalto terá de reconstruir pontes com senadores, medir a resistência política e apresentar uma indicação com maior capacidade de aprovação.

Oposição transforma resultado em munição política


No campo oposicionista, a votação foi recebida como uma vitória expressiva. A fala de Alfredo Gaspar sintetiza o tom adotado por parlamentares do PL e de outros partidos contrários ao governo Lula.

Ao afirmar que “o governo Lula acabou”, Gaspar buscou transformar uma derrota institucional em símbolo de enfraquecimento político do presidente. A frase deve ser lida dentro da disputa política nacional, mas reflete o tamanho da repercussão que a votação produziu no Congresso.

A rejeição de um indicado ao Supremo não derruba um governo, mas pode marcar uma mudança de ambiente político. O Senado, ao barrar Jorge Messias, enviou um recado duro ao Palácio do Planalto: a aprovação de nomes para cargos estratégicos não será automática.

Fato histórico


A última vez em que o Senado havia rejeitado indicações para o STF ocorreu no fim do século XIX. Em 1894, nomes apresentados pelo então presidente Floriano Peixoto foram recusados pelos senadores. Desde então, por mais de um século, as indicações presidenciais ao Supremo vinham sendo aprovadas.

Por isso, a derrota de Jorge Messias entra para a história política brasileira. Não como o primeiro caso de rejeição, mas como a primeira recusa desde 1894 e como uma das mais fortes derrotas do governo Lula no Congresso.