Defesa de 'Débora do Batom' pede ao STF redução da pena com base no PL da Dosimetria
Advogados argumentam que lei penal mais benéfica deve retroagir para beneficiar réus dos atos de 8 de janeiro
A defesa da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como "Débora do Batom", protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF), na sexta-feira (1º), um pedido para reduzir sua pena, fundamentando-se na aprovação do chamado PL da Dosimetria pelo Congresso Nacional.
Débora ficou conhecida por ter pichado a estátua da Justiça durante os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, fato pelo qual foi condenada a 14 anos de prisão.
Na prática, o projeto de lei abre caminho para a diminuição das penas aplicadas a condenados por crimes contra a democracia. O texto foi aprovado pelo Congresso, vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas, na quinta-feira (30), o veto foi derrubado pelos parlamentares.
Débora foi condenada pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada.
De acordo com as investigações, ela usou um batom para escrever a frase "Perdeu, mané" na estátua localizada em frente à sede do STF, durante os atos antidemocráticos. Desde março de 2025, Débora cumpre prisão domiciliar.
No pedido encaminhado ao STF, os advogados de "Débora do Batom" defendem que a lei penal mais benéfica deve retroagir em benefício do réu.
No entanto, a lei ainda não entrou oficialmente em vigor, pois aguarda promulgação pelo presidente Lula. Após essa etapa, partidos políticos ou a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda poderão questionar a constitucionalidade da norma no STF.
Quando a lei for promulgada, o benefício não será automático: réus condenados pelos atos antidemocráticos precisarão solicitar ao STF a readequação da pena, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.