JORNALISMO INDEPENDENTE

Morre o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira no Rio aos 85 anos

Referência na resistência democrática, Raimundo fundou o jornal Movimento durante a ditadura militar

Publicado em 02/05/2026 às 17:38
Raimundo Rodrigues Pereira Reprodução / Youtube — Memorial da Resistencia SP

O jornalista Raimundo Rodrigues Pereira faleceu na manhã deste sábado, 2, no Rio de Janeiro, aos 85 anos. A informação foi divulgada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Não foram informados detalhes sobre a causa da morte. Raimundo será cremado ainda neste sábado.

Reconhecido como referência no jornalismo independente, Raimundo fundou o jornal Movimento durante o regime militar, tornando-se um dos principais líderes do movimento de resistência democrática no país. Segundo a ABI, "o veículo assumiu papel decisivo na denúncia das arbitrariedades do regime e na construção de uma narrativa crítica em defesa da democracia".

A trajetória de resistência de Raimundo não se limitou às páginas dos jornais. Ele foi preso durante a ditadura, enquanto cursava Engenharia no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São Paulo, após ser alvo de perseguição ideológica por um jornal estudantil. Após ser libertado, formou-se em Física pela Universidade de São Paulo (USP) e iniciou carreira como jornalista em revistas técnicas, até chegar à grande imprensa, com passagens por veículos como a revista Realidade e O Estado de S. Paulo.

Legado de resistência

Raimundo destacou-se pela qualidade de suas reportagens e pela profundidade das análises, características que impulsionaram a imprensa alternativa. O jornal Movimento publicou mais de 300 edições semanais, enfrentando censura e dificuldades financeiras devido à repressão. Segundo a ABI, em diversas edições, espaços em branco denunciavam a violência do regime contra a liberdade de imprensa.

O conselheiro da ABI, Marcelo Auler, ressaltou o legado deixado pelo jornalista: "Raimundo Rodrigues Pereira foi um guerreiro e empreendedor da informação, do jornalismo, mas acima de tudo da Democracia, com 'D' maiúsculo. É uma grande perda para todos os jornalistas, mas também para o Brasil democrático".