JUSTIÇA E POLÍTICA

STJ condena ex-governador Gladson Cameli a 25 anos de prisão e o torna inelegível

Gladson Cameli, ex-governador do Acre, recebeu pena de 25 anos e 9 meses por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Ele está inelegível por oito anos.

Publicado em 06/05/2026 às 18:03
Gladson Cameli Reprodução / Instagram

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou nesta quarta-feira, 6, o ex-governador do Acre, Gladson Cameli (PP), a 25 anos e 9 meses de prisão. A sentença abrange crimes de dispensa indevida de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Gladson, que renunciou ao cargo em abril para tentar uma vaga no Senado nas eleições de outubro, ficou inelegível por oito anos.

A reportagem entrou em contato com Gladson Cameli para obter manifestação sobre a condenação. O espaço permanece aberto. Em ocasiões anteriores, tanto durante as investigações da Polícia Federal quanto após a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o ex-governador sempre negou qualquer ato ilícito em sua administração.

Apesar de a sentença ainda não ter transitado em julgado, a condenação por órgão colegiado já torna Gladson inelegível, conforme determina a Lei da Ficha Limpa. A restrição só poderá ser revertida caso ele obtenha liminar na Justiça Eleitoral, o que permitiria uma eventual candidatura sub judice até o fim dos recursos.

O julgamento foi concluído com oito votos favoráveis à condenação, incluindo o da relatora, ministra Nancy Andrighi, que fixou a pena em 25 anos e 9 meses de prisão. Outros três ministros acompanharam o revisor, João Otávio de Noronha, sugerindo pena de 16 anos, divergindo apenas na dosimetria.

O processo teve origem nas investigações da Operação Ptolomeu, que apurou casos de corrupção e resultou em nove inquéritos envolvendo o ex-governador, suspeito de desviar R$ 16 milhões dos cofres públicos.

A denúncia envolve um contrato firmado em maio de 2019, no primeiro mandato de Gladson, entre a Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do Acre e a Murano Construções, para manutenção de prédios públicos. A reportagem também busca contato com a defesa da empresa.

Segundo as investigações, um dia após a assinatura do contrato, a Murano estabeleceu parceria com a empresa Rio Negro, administrada por Gledson Cameli, irmão do então governador, que teria recebido quase R$ 2 milhões.

Para os investigadores, ficou evidente o acerto para a contratação indireta da empresa do irmão de Gladson e a tentativa de ocultar sua participação, a fim de evitar a atenção de órgãos de controle.

Entre as provas citadas pela Procuradoria-Geral da República está a compra de um apartamento de luxo avaliado em R$ 6 milhões, no bairro dos Jardins, em São Paulo, apontado como pagamento de propina.

A Polícia Federal identificou que o imóvel foi pago pela empresa do irmão do ex-governador, após receber transferências de uma terceira companhia, que, por sua vez, foi abastecida financeiramente pela Murano Construções, detentora de mais de R$ 30 milhões em contratos com o Governo do Acre.