JUSTIÇA ELEITORAL

Cármen Lúcia critica violência de gênero em última sessão como presidente do TSE

Ministra defende igualdade de gênero e é homenageada por atuação à frente do Tribunal Superior Eleitoral

Publicado em 07/05/2026 às 17:24
Cármen Lúcia

Em sua última sessão como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quinta-feira (7), a ministra Cármen Lúcia fez duras críticas à violência "bárbara" enfrentada por mulheres em espaços de poder e foi homenageada por colegas da Corte.

A ministra destacou que a Justiça Eleitoral deve continuar atuando para promover a igualdade de gênero na vida pública e no processo político. "Isso não é um problema de civilidade. Isso é um problema de humanidade. E o que nós queremos é uma Justiça para humanos e humanas igualmente dignas", afirmou.

Cármen Lúcia ressaltou ainda o desejo de que as advogadas brasileiras tenham oportunidades iguais no cenário jurídico: "O anseio que todas nós temos é que as advogadas brasileiras tenham o mesmo espaço, as mesmas possibilidades, porque são tão qualificadas quanto qualquer dos melhores advogados do Brasil?", questionou, enfatizando que candidatas, advogadas e defensoras ainda enfrentam obstáculos para exercer suas funções.

Em sua segunda passagem pelo TSE, a ministra foi a primeira mulher a presidir a Corte e comandou duas eleições municipais, em 2012 e 2024.

Na ocasião, Cármen Lúcia recebeu homenagens do ministro Nunes Marques, que assume a presidência do TSE na próxima terça-feira (12) e ficará responsável pela condução da Justiça Eleitoral durante as eleições deste ano.

Nunes Marques destacou a atuação da ministra para dar visibilidade à participação feminina na vida pública e sua defesa intransigente da inclusão de advogadas nas listas tríplices para todas as Cortes Eleitorais. "Vossa excelência defendeu os institutos mais caros de nossa democracia com o compromisso próprio de quem é apaixonada pelo nosso país", afirmou o ministro. Ele acrescentou que ele e André Mendonça, que tomará posse como vice-presidente, serão fiéis ao exemplo deixado por Cármen Lúcia na condução das eleições de 2024: "Firmeza no cumprimento das normas eleitorais, zelo na garantia dos direitos inerentes à cidadania e serenidade na condução dos trabalhos".

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também presente à sessão, definiu a trajetória de Cármen Lúcia nas Cortes superiores como "exitosa, culta e íntegra". "Vossa excelência deixa na memória da Corte os melhores traços. A defesa da democracia e da efetivação dos direitos básicos a que ela serve e que lhe imprimem a essência marcam a passagem de vossa excelência no TSE", concluiu.