Após apoiar JHC, Kil anuncia voto em Renan Calheiros e reforça política do “lá e lô” em Alagoas
Ex-prefeito de União dos Palmares declarou apoio ao projeto de JHC para o Governo de Alagoas, mas afirmou que seu primeiro voto para o Senado será em Renan Calheiros, adversário político do grupo tucano no Estado
O gesto reforça a leitura, nos bastidores, de que o ex-prefeito adotou a política do “lá e lô”, expressão usada para definir o movimento de quem mantém alianças em campos distintos da disputa eleitoral. De um lado, Kil se aproxima de JHC, hoje colocado como adversário do grupo governista na corrida pelo Palácio República dos Palmares. De outro, mantém o voto em Renan Calheiros, principal liderança do MDB em Alagoas e nome histórico do grupo político que ocupa o Governo do Estado. Renan é senador por Alagoas e integrante do MDB.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Kil afirmou que começará a anunciar, aos poucos, os candidatos que pretende apoiar nas eleições. O primeiro nome apresentado foi justamente o de Renan Calheiros para uma das vagas ao Senado.
“Aos poucos eu vou anunciando a vocês os candidatos que eu vou votar nessa eleição. Hoje eu vou falar de um candidato só, de uma vaga só do Senado. Eu tenho uma gratidão, uma amizade muito forte com um dos candidatos que eu vou votar, até porque já voto nele há muitos anos, desde 1990”, declarou.
Kil fez questão de resgatar sua relação política antiga com Renan. Segundo o ex-prefeito, ele votou no senador para governador em 1990 e, desde então, manteve apoio ao grupo em praticamente todas as eleições. A única exceção citada por ele foi em 2006, quando teria seguido João Lyra, a quem classificou como seu patrão à época.
“Votei nele para governador nessa eleição, inclusive fui candidato a deputado nessa eleição, com 25 anos. Depois votei nele em todas as eleições. Só não acompanhei o grupo dele em 2006, porque João Lyra, que era meu patrão, foi candidato a governador, mas ele não foi candidato nessa eleição”, afirmou.
Ao justificar o apoio, Kil elevou o tom dos elogios ao senador e disse considerar Renan Calheiros o maior político da história de Alagoas.
“Então eu venho hoje aqui dizer a vocês que uma das vagas do Senado, a primeira vaga, o primeiro voto que eu vou dar para senador, vai ser no senador Renan Calheiros, porque eu o considero o maior político da história desse Estado e também um dos maiores políticos que o Brasil já produziu”, declarou.
O ex-prefeito também pediu que seus seguidores e eleitores acompanhem sua escolha para o Senado.
“Então você que me acompanha, você que gosta de mim, você que vota nos meus candidatos, o primeiro voto é Renan Calheiros e eu espero que você me acompanhe. Nós estamos juntos aí”, completou.
Movimento expõe arranjo político delicado
A declaração de Kil ocorre em um momento de forte reorganização das forças políticas em Alagoas. Nesta semana, a imprensa noticiou que o ex-prefeito rompeu com o governo estadual, deixou a presidência da Emater e passou a apoiar o projeto de JHC ao Governo de Alagoas.
A adesão a JHC foi interpretada como um movimento de peso, especialmente por Kil ter longa trajetória de proximidade com o grupo dos Calheiros. No entanto, ao anunciar voto em Renan para o Senado, o ex-prefeito tenta manter aberta uma ponte com sua antiga base política, mesmo após se deslocar para o campo adversário na disputa pelo Governo.
Na prática, o posicionamento coloca Kil em uma situação política incomum: apoia JHC para o Executivo estadual, mas declara voto em um dos principais nomes do MDB, partido que está no centro do projeto político rival ao tucano em Alagoas.
“Lá e lô” entra no vocabulário da eleição
A política do “lá e lô” não é novidade nas eleições alagoanas, mas tende a ganhar mais visibilidade em 2026. Com dois votos para o Senado, uma disputa estadual polarizada e vários grupos municipais tentando preservar espaços, prefeitos, ex-prefeitos e lideranças regionais começam a desenhar composições cruzadas.
No caso de Kil, o movimento chama atenção porque envolve dois nomes de forte antagonismo no tabuleiro estadual: JHC, que busca consolidar sua pré-candidatura ao Governo de Alagoas, e Renan Calheiros, senador experiente e liderança histórica do MDB.
Ao anunciar o primeiro voto em Renan, mesmo depois de aderir ao projeto de JHC, o ex-prefeito de União dos Palmares sinaliza que pretende construir uma campanha com alianças seletivas — mantendo um pé no novo palanque e outro em uma relação política antiga. Em Alagoas, esse tipo de composição costuma dizer muito sobre os bastidores da eleição antes mesmo do início oficial da campanha.