Após reunião, Lula destaca relação com Trump e cita 'amor à primeira vista'
Petista afirmou que republicano 'pensa que guerra no Irã acabou'
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quinta-feira (7) que sua relação com o seu homólogo americano, Donald Trump, "foi amor à primeira vista" e avaliou que a "invasão do Irã" causará mais prejuízos aos Estados Unidos do que o republicano imagina.
Durante uma coletiva de imprensa realizada em Washington, logo após a reunião de quase três horas com o magnata na Casa Branca, o petista avaliou que o encontro representou "um passo importante na consolidação da relação democrática histórica" entre os dois países, mas acrescentou que Trump não mudará sua forma de agir.
"O Trump não vai mudar o jeito dele de ser por causa de uma reunião que durou três horas comigo. Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra e acho que a invasão do Irã vai causar mais prejuízo do que ele está imaginando. No entanto, existem várias suposições. Ele acha que a guerra já acabou. Não é a realidade, mas ele acha. Não vou ficar brigando com ele por causa da visão que ele tem da guerra", disse Lula.
Na sequência, o presidente brasileiro também comentou a situação da Venezuela, alvo de uma operação militar de Washington que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro. Após a prisão do líder chavista, o país passou a ser administrado por Delcy Rodríguez.
"Ele acha que na Venezuela está tudo resolvido. Eu espero que esteja. Eu lido com a Venezuela desde 2002. Espero que a Venezuela resolva seus problemas, porque o povo venezuelano precisa ter uma chance de viver bem", declarou.
O chefe de Estado brasileiro, que garantiu ter saído da reunião "muito satisfeito", afirmou acreditar que sua relação com Trump é sincera e chegou a descrevê-la como "uma história de amor à primeira vista".
"Nossa relação é muito boa. Diria que é uma relação que pouca gente acreditava que pudesse acontecer com tanta rapidez. Sabe aquela história de amor à primeira vista, aquela coisa da química? É isso que aconteceu e espero que continue assim", afirmou.
Lula também revelou que pressionou Trump por mudanças no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, já que os Estados Unidos são um dos membros permanentes do órgão. Além disso, o brasileiro garantiu que o republicano afirmou não pensar em invadir Cuba.
"Ele disse que não pensa em invadir Cuba. Acho que é um grande sinal, até porque Cuba quer dialogar e encontrar uma solução para colocar fim a um bloqueio que nunca deixou o país ser plenamente livre desde a Revolução de 1959", comentou.
Em relação às tarifas americanas, Lula propôs ao colega um prazo de 30 dias para que as equipes dos dois países debatam o tema e desenvolvam uma proposta que permita "bater o martelo". O petista também afirmou que Trump não abordou o Pix durante o encontro.
Em um momento de descontração com os jornalistas, o presidente brasileiro revelou ter pedido ao republicano que sorrisse mais.
"Vocês perceberam que o Trump rindo é melhor do que de cara feia. E eu fiz questão de dizer para ele: 'ria'. É importante, alivia a nossa alma se a gente rir um pouco", concluiu