Declarações de dirigentes ampliam cenário de divisão do PT em Pernambuco para 2026
As articulações políticas para as eleições de 2026 em Pernambuco ganharam um novo capítulo nesta quinta-feira (7), após o presidente nacional do PT, Edinho Silva, admitir, durante coletiva de imprensa, a possibilidade de o partido atuar em campos políticos distintos no estado. A declaração foi dada antes de uma plenária que reuniu lideranças petistas.
Embora a direção nacional da legenda trabalhe para fortalecer o projeto político do presidente Lula em todo o país, em Pernambuco o partido enfrenta um cenário de divisão entre aliados da governadora Raquel Lyra e o grupo político liderado pelo ex-prefeito do Recife, João Campos.
Dentro da estratégia petista para o estado, a prioridade segue concentrada na disputa ao Senado, com foco na eleição de Marília Arraes e na manutenção do mandato do senador Humberto Costa, pauta considerada central pela executiva nacional.
Durante o encontro, o presidente estadual do PT e deputado federal Carlos Veras afirmou que seis prefeitos da legenda ainda permanecem na base de apoio da governadora Raquel Lyra. Apesar disso, ressaltou que o partido busca ampliar o diálogo interno para evitar rupturas e preservar a unidade política.
Já Humberto Costa reforçou sua permanência no campo político da Frente Popular, atualmente liderada por João Campos. O senador também defendeu o legado de investimentos realizados em Pernambuco nos últimos anos e tratou com cautela os levantamentos eleitorais divulgados até agora.
“Pesquisa agora é apenas um retrato do momento, não existem candidatos definidos. Ainda há muito tempo até a eleição e vamos percorrer todas as regiões do estado e tenho certeza de que com a minha história eu serei o mais votado de Pernambuco”, declarou Humberto, sendo aplaudido pelas lideranças presentes.
O vereador do Recife Osmar Ricardo também comentou o cenário eleitoral e afirmou que pretende endurecer a oposição à gestão municipal comandada por João Campos. Segundo ele, a disputa eleitoral deve ser marcada por forte enfrentamento político.
Ao comentar a aproximação de setores bolsonaristas com o grupo político de Raquel Lyra, Osmar afirmou que cada ala seguirá estratégias próprias ao longo da campanha.
A divisão interna do PT já havia ficado evidente durante a plenária realizada pela legenda em março. Na ocasião, a maioria dos participantes aprovou apoio ao palanque de João Campos, por 59 votos contra 11. Mesmo assim, integrantes do partido admitem que uma ala continuará alinhada ao grupo da governadora, mantendo simultaneamente apoio ao presidente Lula, Marília Arraes e Humberto Costa.
Nos bastidores, lideranças políticas avaliam que Pernambuco poderá concentrar uma das disputas mais acirradas do país em 2026, diante da fragmentação interna do PT, das novas alianças em construção e da tendência de forte polarização no estado.
Também participaram do encontro a senadora Teresa Leitão, a presidente do Sintepe, Ivete Caetano, a deputada Dani Portela, as vereadoras Liana Cirne e Eugênia Lima, além de dirigentes municipais do partido, deputados e lideranças políticas de várias regiões pernambucanas.