REPRESENTAÇÃO CRIMINAL

Líderes de partidos de esquerda acionam PGR contra Flávio e Eduardo Bolsonaro

PT, PCdoB e PV pedem investigação sobre supostos crimes ligados ao financiamento do filme 'Dark Horse' e à movimentação de recursos por aliados de Bolsonaro.

Publicado em 14/05/2026 às 19:34
Flávio Bolsonaro Reprodução / Instagram

Líderes do PT, PCdoB e PV no Congresso Nacional protocolaram nesta quinta-feira, 14, uma representação criminal junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O documento pede apuração de "possíveis crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, peculato, desvio de recursos públicos, falsidade ideológica, corrupção, evasão de divisas, coação no curso do processo e crimes contra a soberania nacional".

A representação também envolve o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e outros aliados do grupo bolsonarista. O pedido foi apresentado um dia após o The Intercept Brasil publicar reportagem revelando que Flávio negociou o repasse de R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Segundo o texto da representação, o objetivo é apurar se "recursos privados oriundos do ecossistema do Banco Master, recursos públicos derivados de emendas parlamentares, estruturas societárias ligadas à produção do filme Dark Horse e operações em dólar realizadas no exterior foram articulados em uma engrenagem comum de financiamento político, comunicação internacional, blindagem judicial e sustentação do golpe continuado contra as instituições brasileiras".

O documento ainda aponta: "A hipótese investigativa envolve possível lavagem de dinheiro transnacional, uso de entidades interpostas, fragmentação de repasses públicos, ocultação de beneficiários finais, simulação de finalidade cultural e eventual caixa 2 político-eleitoral, inclusive mediante promoção antecipada da família Bolsonaro e de seu grupo político".

De acordo com a representação, "a hipótese central é que estruturas empresariais e associativas ligadas à produção do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, podem ter sido instrumentalizadas para captar, circular, ocultar ou dar aparência lícita a recursos destinados à atuação política da família Bolsonaro, inclusive no exterior".

Os parlamentares solicitam investigação sobre o fluxo de recursos privados ligados a Vorcaro e sobre emendas parlamentares destinadas a entidades vinculadas à produtora do filme. Assinam a peça a senadora Tereza Leitão (PT-PE) e os deputados Pedro Uczai (PT-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Aliel Machado (PV-PR), entre outros congressistas.

Em resposta, Flávio Bolsonaro negou irregularidades em entrevistas e nas redes sociais. O senador afirmou que só admitiu contato com Vorcaro após o fim de uma cláusula de confidencialidade contratual e que o aporte foi exclusivamente um investimento privado na produção audiovisual.