POLÍTICA

Eduardo Bolsonaro nega contrapartida a Vorcaro e afirma viver de 'renda passiva'

Ex-deputado rebate acusações sobre doações para filme de Jair Bolsonaro e diz não ter recebido recursos do banqueiro Daniel Vorcaro.

Publicado em 17/05/2026 às 20:04
Eduardo Bolsonaro Reprodução / Instagram

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) negou que tenha sorteado qualquer contrapartida ao dinheiro doado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o filme 'Dark Horse', produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai. "A gente só tinha a oferecer a ele exposição para ele ser perseguido. Qual era a contrapartida do Vorcaro?", afirmou Eduardo durante uma live com o jornalista Paulo Figueiredo.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, trocou mensagens com Vorcaro solicitando recursos para custear o filme. As conversas, em texto e áudio, foram reveladas pelo site Intercept Brasil e confirmadas pelo Estadão. Flávio negociou R$ 134 milhões com Vorcaro para a produção sobre Jair Bolsonaro.

Durante a transmissão, Eduardo buscou diferenciar a doação de Vorcaro para o filme dos repasses do Banco Master ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. “Estão tentando forçar uma barra, forçar uma ilegalidade porque o alvo é o Flávio Bolsonaro”, declarou o ex-deputado, que reside nos Estados Unidos e teve o mandato cassado em dezembro de 2025.

A Polícia Federal deve abrir investigação para apurar os pagamentos entre Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência.

Segundo o Estadão, uma das linhas de purificação é se os recursos foram desviados para um fundo sediado no Texas, ligado a Eduardo Bolsonaro, e utilizado para custear sua permanência nos EUA, já que o STF havia bloqueado contas e restringido a obtenção de recursos no exterior.

Na live, Eduardo negou ter recebido dinheiro do fundo Hevangate, mas confirmou ter contratado o advogado Paulo Calixto, agente legal do fundo, para tratar de questões migratórias e de fundos.

O ex-deputado afirmou ter investido US$ 50 mil na fase inicial do filme para garantir contrato com o diretor Cyrus Nowrasteh. Segundo ele, o contrato que o coloca como produtor-executivo era antigo e provisório. Eduardo negou ser produtor, diretor ou ter controle financeiro sobre a produção.

Ele também negou qualquer relação com Daniel Vorcaro e disse nunca ter conversado com o dono do Banco Master. “Poderia ter tido, mas não tive nenhuma (relação)”, garantiu. Eduardo afirmou ainda que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro ou de fundos ligados ao banqueiro. Defendeu o irmão Flávio, frisando que o contato com Vorcaro restringiu-se ao filme.

O ex-deputado declarou manter-se nos EUA com “renda passiva”. Citou ter recebido R$ 2 milhões de uma campanha via Pix organizada pelo pai, Jair Bolsonaro, mas não detalhou outras fontes de renda. Também não foi informado a origem dos US$ 50 mil investidos inicialmente no filme.

Segundo Eduardo, o orçamento do filme sobre Jair Bolsonaro é considerado “barato” para os padrões de Hollywood, mas não revelou o valor total. Ele reforçou que, apesar da crise envolvendo Flávio, o irmão não desistirá da candidatura à Presidência. "Essa possibilidade, ainda que aventada, seria o fim dessa eleição. Acho que só o Flávio consegue bater no Lula."