PL protocola convite para PF explicar troca de delegado no inquérito de fraudes no INSS
Oposição questiona mudança na chefia da investigação que apura desvios envolvendo filho do presidente Lula e empresário conhecido como Careca do INSS.
O líder da bancada do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), protocolou na última sexta-feira (15) um requerimento convidando o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a prestar esclarecimentos sobre a troca de delegado responsável pelo inquérito que investiga desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A investigação mira Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que está preso preventivamente sob suspeita de liderar um esquema de fraudes em aposentadorias.
Até então, o caso era conduzido pelo delegado-chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF. Procurada, a Polícia Federal informou que a investigação foi transferida para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (CINQ/CGRC/DICOR/PF), o que resultou na substituição do delegado à frente do caso. Segundo a PF, a mudança visa dar mais estrutura e "potencializar recursos" para a apuração.
A alteração desagradou a oposição, que acusa o governo de interferir na autonomia da PF. Sóstenes afirmou que "não existe coincidência", destacando que a troca ocorreu em um momento sensível da investigação, logo após o pedido de quebra de sigilo bancário do filho do presidente.
No requerimento, o deputado justifica que é imprescindível que a Polícia Federal ofereça esclarecimentos oficiais ao Parlamento, garantindo transparência institucional e segurança jurídica à população.
O documento foi protocolado na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara, mas ainda não há data para que a solicitação seja apreciada pelo colegiado.
A troca na chefia do caso também motivou uma reunião entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, e a equipe da PF na sexta-feira. O ministro pediu explicações sobre a mudança e demonstrou incômodo por não ter sido informado previamente.
Segundo relatos de pessoas presentes, Mendonça destacou que o comando anterior estava à frente das negociações sobre delações premiadas e cobrou independência no trabalho dos investigadores, ressaltando que não admite perseguições políticas nem atrasos nas apurações para proteger suspeitos.
Em nota, o gabinete do ministro informou apenas que a reunião serviu para atualizar o andamento das investigações e apresentar a nova coordenação responsável pela operação "sem desconto" (caso do INSS).
O delegado substituído permanece na Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, mas o caso do INSS está agora sob responsabilidade de outro delegado, que ainda não havia atuado no inquérito. A PF garante que a equipe e os demais delegados foram mantidos, assegurando que não haverá prejuízo ao andamento das investigações.
A condução do caso vinha sendo criticada pela defesa de Fábio Luís Lula da Silva, que alegava falta de fundamentos para as medidas adotadas contra o filho do presidente.
A Polícia Federal solicitou, por exemplo, a quebra do sigilo bancário de Fábio Luís, autorizada por André Mendonça, e elaborou relatórios apontando suspeitas em movimentações financeiras de Roberta Luchsinger, amiga do investigado. As defesas negam qualquer envolvimento com irregularidades e, até o momento, não há acusação formal contra o filho do presidente Lula.