SAÚDE PÚBLICA

Comissão de Saúde debate incorporação da terapia tripla para tratamento da fibrose cística

Audiência na Câmara discute avanço terapêutico e desafios para implementação do novo protocolo no SUS

Publicado em 19/05/2026 às 09:54
Audiência na Câmara debate a incorporação da terapia tripla no tratamento da fibrose cística. GettyImages

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados realiza nesta quarta-feira (20) um debate sobre a incorporação da terapia tripla no tratamento da fibrose cística. O novo protocolo reúne três medicamentos que atuam de forma combinada para corrigir o funcionamento da proteína alterada pela doença.

A fibrose cística é uma enfermidade genética caracterizada pela produção de secreções mais espessas do que o normal, que se acumulam principalmente nos pulmões e no sistema digestivo, dificultando a respiração e a absorção de nutrientes.

O debate está marcado para as 17 horas, em plenário a ser definido, e foi solicitado pelo deputado Diego Garcia (União-PR).

De acordo com o parlamentar, a audiência pública pretende qualificar o debate sobre os efeitos sociais, clínicos e assistenciais da adoção da nova terapia.

Segundo Diego Garcia, a abordagem representa um avanço significativo no tratamento da fibrose cística, promovendo melhora da função pulmonar, redução das exacerbações infecciosas, ganho nutricional, diminuição de hospitalizações e aumento da expectativa e da qualidade de vida dos pacientes. O deputado destaca ainda que a inovação pode modificar o curso clínico da doença e favorecer a inclusão social dos pacientes.

No entanto, Garcia ressalta que a incorporação da terapia não soluciona todos os desafios estruturais do sistema de saúde. Persistem questões relacionadas à equidade no acesso, à organização das redes de cuidado, à distribuição regional de centros especializados, à transição do cuidado pediátrico para o adulto e aos vazios assistenciais.

“A discussão não envolve apenas o financiamento de tecnologia de alto custo, mas também a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde, a racionalidade da política de doenças raras e a garantia de que a inovação científica se traduza, de fato, em benefício social concreto”, afirma o parlamentar.