PL tentou barrar divulgação de pesquisa que mostrou queda de Flávio Bolsonaro
Partido acionou o TSE para suspender pesquisa que indicou aumento da rejeição e queda nas intenções de voto do senador após polêmica com áudio.
O Partido Liberal (PL) protocolou, nesta segunda-feira (18), uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para suspender a divulgação da pesquisa presidencial publicada nesta terça-feira (19) pela AtlasIntel/Bloomberg. O levantamento apontou queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e aumento de sua rejeição, após a revelação de que o parlamentar teria cobrado dinheiro do dono do Master, Daniel Vorcaro.
No pedido, o partido alegou que o questionário foi elaborado de forma "indutora" e teria potencial de prejudicar a candidatura de Flávio Bolsonaro.
De acordo com o PL, a pesquisa continha perguntas formuladas em sequência para associar Flávio ao caso do Master e a Vorcaro. Segundo os advogados da legenda, o questionário criou um ambiente de "priming", "framing" e "ancoragem", estimulando respostas negativas do eleitorado antes das perguntas sobre intenção de voto, rejeição e imagem do senador.
A sigla cita como exemplo perguntas que abordam o "medo" de uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro, o suposto "esquema de fraudes financeiras" envolvendo o Master e áudios e mensagens atribuídos ao senador e a Vorcaro. Para o partido, a pesquisa deixou de captar opinião pública espontânea e passou a funcionar como instrumento indireto de propaganda negativa.
O documento também questiona uma etapa audiovisual da pesquisa, identificada como pergunta 48, em que entrevistados teriam sido expostos a um áudio relacionado ao caso. O PL argumenta que o material não teve autenticidade comprovada nem cadeia de custódia apresentada no registro feito ao TSE.
Além da suspensão imediata da divulgação, o partido pediu acesso aos microdados, aos "logs" de aplicação do questionário, ao plano amostral e ao sistema interno de controle da AtlasIntel/Bloomberg. A ação também solicitou multa contra o instituto e a proibição definitiva da divulgação de perguntas consideradas irregulares.
Os advogados sustentaram que, caso a pesquisa fosse publicada, poderia haver "dano irreversível" ao ambiente eleitoral de 2026, com a disseminação de manchetes negativas baseadas em respostas que, segundo o PL, teriam sido influenciadas pelo próprio desenho do questionário.
A pesquisa apontou que Flávio Bolsonaro passou a ser o pré-candidato à Presidência com maior rejeição após a divulgação do áudio em que pede dinheiro a Vorcaro. O percentual de entrevistados que disseram não votar nele de jeito nenhum subiu de 49,8% em abril para 52% em maio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que até então liderava o ranking, oscilou de 51% para 50,6%.
O levantamento também mostrou que as intenções de voto em Flávio caíram 5,4 pontos percentuais no primeiro turno e 6 pontos em um eventual segundo turno. Com isso, Lula passou a liderar a disputa contra Flávio no segundo turno e ampliou a vantagem no primeiro. Em abril, o cenário de segundo turno apontava empate técnico, com o senador bolsonarista com 47,8% contra 47,5% do petista. Agora, o presidente tem 48,9% contra 41,8% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio — ou seja, as entrevistas começaram no mesmo dia em que o site Intercept Brasil divulgou o áudio com Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar o filme sobre o pai dele.
A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos. Foram aplicados questionários online a 5.032 brasileiros com 16 anos ou mais, selecionados via metodologia de recrutamento digital aleatório. O levantamento foi registrado no TSE sob o protocolo BR-06939/2026.