Projeto insere o nome do sociólogo Betinho no 'Livro dos Heróis da Pátria'
Senadora Teresa Leitão propõe reconhecimento nacional ao ativista que marcou a história política e social do Brasil
O nome do sociólogo Herbert José de Souza, conhecido como Betinho, poderá ser incluído no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A proposta foi apresentada pela senadora Teresa Leitão (PT-PE) em 11 de maio, por meio do projeto de lei PL 2.288/2026. O texto aguarda distribuição às comissões pertinentes no Senado.
Segundo a senadora, Betinho tem papel singular na trajetória política e social brasileira. Teresa Leitão destaca que a inscrição de seu nome no Livro dos Heróis representa o reconhecimento de uma vida dedicada à construção democrática do país.
Trajetória
Nascido em Bocaiúva (MG), em 1935, e falecido no Rio de Janeiro (RJ), em 1997, Betinho formou-se em sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sua militância começou ainda jovem, na UFMG e em movimentos vinculados à Ação Católica. Nos anos 1960, envolveu-se nas lutas pelas reformas de base durante o governo João Goulart.
De acordo com Teresa Leitão, a biografia de Betinho é marcada pela resistência democrática. Ele se opôs ao golpe de 1964 e à ditadura militar instalada no Brasil. Com o aumento da repressão, foi forçado ao exílio em 1971, vivendo no Chile, Canadá e México.
Anistia e combate à fome
O retorno de Betinho ao Brasil, durante o processo de anistia, tornou-se símbolo da luta pela redemocratização. Ele foi homenageado como "o irmão do Henfil" na canção O Bêbado e a Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, eternizada na voz de Elis Regina.
Hemofílico, Betinho foi contaminado pelo vírus da Aids e viveu seus últimos anos enfrentando a doença. Foi articulador de campanhas pela reforma agrária e coordenou a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, fundada em 1993. Sob sua liderança, a iniciativa mobilizou o país em torno de uma ideia simples e poderosa: a fome não pode esperar.